quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

~ Pausa ~ Vídeo de viagens

Há algum tempo não atualizamos o blog, pois esse fim de ano tem sido bem corrido. Contudo, fiz um vídeo que mostra um pouco das nossas viagens.

https://www.youtube.com/watch?v=rTzRrfLfffg

Fica como meta para 2016 terminar de publicar os detalhes de nossa viagem a Goiás

Abraços!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

12° dia de viagem - 23/05/2015

Nossa viagem estava chegando ao fim. Nesse dia fomos conhecer duas cachoeiras que não havíamos conhecido na primeira ida até São Jorge: os Cânions e as Cariocas


Trilha até os Cânions


 Acordamos cedo após uma noite de muita música, e seguimos por uma trilha muito bonita (ver foto acima) até as cachoeiras. Andamos bastante, mas a caminhada valeu a pena! Por coincidência encontramos as biólogas de SP que havíamos conhecido no dia anterior, no restaurante chique no qual o Rafa e a Gabi tocaram. Não conversamos muito pois estávamos fazendo trilha na hora, e elas estavam tirando fotos de algumas plantas


Chegando nos Cânions

 Carlos Drummond iria ficar muito louco com tanta pedra no meio do caminho (rs!). A caminhada não era fácil, mas fizemos num ritmo bom. Não demoramos muito para chegar no destino final

Medo!

Ficamos um tempo considerável no local mostrado na foto acima. Sem dúvida era bem mais alto do que aparenta ser, olhando a foto. Ficamos ali, na beiradinha (com muito cuidado, é claro), olhando pra baixo, contemplando a força da água, e ouvindo o som do impacto da mesma com as pedras. Ali, mais uma vez, a natureza se mostrando pra gente, imponente.



O local estava cheio de gente, mas não importava. Continuava lindo! Eu e a Grazi mergulhamos, tomamos Sol, descansamos, comemos castanhas, e eu ainda pulei de uma pedra há alguns metros acima do nível da água.


Prosseguimos rumo às Cariocas. A cachoeira não ficava muito distante dali...


Chegando nas Cariocas

Acredito que todas as pessoas que estavam nos Cânions foram até as Cariocas, pois o lugar também estava cheio. Contudo, ficamos tanto tempo no local que por fim deu tempo de contemplá-lo praticamente a sós, conforme o pessoal foi indo embora.


"Lavando a alma" nas Cariocas

Voltamos então até a casa do Rafa. Agradecemos bastante ao casal, pegamos nossas coisas, e fomos até a casa do Maurício (que por sinal não era longe dali). A essa altura já havíamos combinado com ele de passar mais um dia lá.

Estávamos morrendo de fome. Aproveitamos a cozinha do Maurício para preparar tudo o que tínhamos, e compensamos todas as calorias gastas ao longo da cansativa trilha. Feito isso, pegamos a grana que havíamos arrecadado no dia anterior e fomos ao mercado da região comprar alguns legumes para preparar lanchinhos para a viagem de volta.

Bem, publiquei mais fotos do que o comum, e escrevi menos. Isso porque não tinha muito o que dizer sobre esse dia. As imagens já falam bastante. O dia seguinte começa o nosso retorno para SP, e aí o processo será contrário: pouca foto, e muita coisa para escrever. Como diz meu amigo, "a aventura começa quando as coisas dão errado".

Aguardem!

Saldo do dia
18,8 reais - mercado

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

11° dia de viagem - 22/05/2015

Conforme mencionado na postagem anterior, no dia 22/05 iríamos voltar para São Jorge, aquela cidade menor que Alto Paraíso, na qual conhecemos as grandes cachoeiras, lembram? (Vejam o 5° e o 6° dia de viagem). Em nossa rápida passagem por lá, ficamos na casa do Maurício, e não conseguimos conhecer tudo o que gostaríamos.

A volta para São Jorge


Não tínhamos cozinha para fazer o almoço (pois estávamos acampando no quintal da casa dos amigos da Nirmana), mas por sorte estamos acostumados a comer frutas em grandes refeições. E foi o que fizemos nos dias anteriores. Porém, ainda tínhamos algumas batatas doces e alguns legumes, e seria um desperdício deixa-los estragar. Decidimos então que após deixar a casa, iríamos nas casas vizinhas pedir a cozinha "emprestada".

Arrumamos nossas coisas, deixamos um bilhete agradecendo bastante a Nirmana em um dos pilares da casa, e partimos. Não demorou até que achássemos um morador que disponibilizasse sua casa para cozinharmos. Após a refeição, fomos em direção ao trevo (mostrado na foto abaixo) pedir carona até São Jorge.


Entrada da cidade Alto Paraíso de Goiás


O lugar inclusive lembra um disco voador, não?! Bem, conseguimos carona rapidamente com um guia de turismo. Ele estava bebendo cerveja, e brincou, dizendo que aquela era a primeira, e que eu não precisava ficar preocupado. Nos falou um pouco sobre sua vida, sobre como foi parar em Goiás, e algumas curiosidades sobre nosso destino e seus pontos turísticos. Por fim, ficamos na entrada de São Jorge, e andamos até a casa do Rafa


Casa do Rafa

Não cheguei a escrever aqui no blog, mas por indicação de um conhecido da Grazi fomos pedir abrigo na Casa do Rafa. Ela é, literalmente, a casa de um cara chamado Rafael, mas funciona também como camping. Conversamos com ele e sua companheira, Gabi, sobre nossa viagem, sobre a falta de grana, e pedimos para passar uma noite em seu quintal. Isso em nossa primeira ida à São Jorge! Como ele havia deixado, voltamos para São Jorge na certeza de ter um lugar para passar a noite. No dia seguinte provavelmente o Maurício estaria lá (pois era final de semana) e conversaríamos com ele para quem sabe ficarmos mais alguns dias em sua casa. Como podem perceber, a gente foi se virando  do jeito que dava rs


Grazi preparando o "rango" na Casa do Rafa
  
O Rafa e a Gabi são músicos, e nos convidaram para um show que aconteceria naquele mesmo dia em um bar da região. Isso ia rolar apenas a noite, e até lá ficamos conversando, descansando, e claro, comendo. O Rafa trocou uma ideia com a gente sobre anarquismo, modelos políticos, vegetarianismo e estilo de vida. Compartilhou com a gente uma Heineken, e depois foi se arrumar para o show.

Pedimos dinheiro!!!

Estávamos literalmente com quase nenhum dinheiro. Não lembro ao certo a quantia, mas naquela altura visitar os locais turísticos pagos (Janela e Abismo) já estavam fora de cogitação. Nossa volta para SP não seria rápida, e precisávamos de grana para comer. Decidimos então o óbvio: pedir dinheiro.
No começo rolou uma certa vergonha, afinal, a construção social a qual fizemos parte a vida toda nos fez construir uma imagem negativa de quem pede dinheiro, excluindo deste toda dignidade, e nos colocando portanto, naquele tipo de situação, numa espécie de posição inferior. Bem, quebramos essa "barreira" pensando que não há, de verdade, motivo para se envergonhar. Já havíamos pedido carona, estadia, um local para cozinhar, por que não dinheiro?

A Grazi iniciou então os pedidos, e tudo ocorreu muito rápido. Fomos até um bar, contamos sobre nossa viagem, e pedimos dinheiro de mesa em mesa. Em cada mesa, pelo menos UMA pessoa nos ajudou. E não deram moedas não! Deram notas de cinco reais!!

A última ajuda que recebemos veio de um casal que se interessou por nossa história. Disseram que na juventude haviam viajado de carona também, sem nenhuma grana, e sabiam muito bem o que estávamos passando. Contribuíram com pouco mais de 10 reais, o que obviamente nos alegrou bastante.

Em poucos minutos conseguimos uma boa quantia. Se quiséssemos mais, bastaria continuar pedindo que com certeza dariam. Mas já tínhamos o suficiente, e os pedidos eram por uma necessidade. Não queríamos aproveitar da situação para tirar algum tipo de vantagem, e sendo assim, voltamos até a casa do Rafa.

O show do casal e o risotto vegano

Fomos até o bar aonde aconteceria o show, e ficamos impressionados com o lugar. Sem dúvida o bar mais chique da região! Havia opção de sentar em almofadas no chão e comer em uma mesa bem baixa. Optamos pelas almofadas, mas não chegamos a ocupar uma mesa, pois não iríamos consumir nada. O garçom até insistiu, mas quando se ligou que estávamos ali apenas pelo show, parou de perguntar se iríamos querer algo.

O show começou. O Rafa estava no teclado, e a Gabi no violão. Ambos cantavam, e se revezavam nos vocais. Foi surpreendente. A princípio ficaríamos um pouquinho e já iríamos embora para dormir cedo, mas não conseguimos. As músicas eram muito boas, o clima era muito bom, e tudo inspirava sensações muito prazerosas. Tocaram clássicos do MPB (não que eu conheça muitos), e até rolou um cover de Criolo. Foi demais!

Fizemos amizade com algumas mulheres que estavam em uma mesa, próximas da gente. Elas eram de SP, professoras, e ficariam apenas alguns dias em São Jorge.

O fim da noite não poderia terminar de melhor forma. Ao terminarem o show, o casal nos disse que teriam direito a duas jantas no local. Como a porção era grande, eles dividiriam uma, e a outra dariam pra gente. O detalhe mais especial: o dono do bar havia acabado de lançar um risotto vegano!! Seríamos os primeiros a experimentar.

O risotto estava muito gostoso. A gente tentava de alguma forma expressar o quão felizes e o quão gratos estávamos por tudo o que estava acontecendo, mas era difícil. O casal provavelmente deve ter achado que éramos dois puxa-sacos, mas estávamos fazendo elogios na mais pura sinceridade. Eles foram ótimos com a gente. Nos deram abrigo, comida, e de quebra um show sensacional. Ótimos músicos, e ainda melhores como pessoas. Sem dúvida, ainda voltaremos para São Jorge, ficaremos na Casa do Rafa (pagando, dessa vez), e levaremos um presente para os dois (rs!)

Fogueira, festa, e mais música


A "saidera" aconteceria na Casa do Rafa. Ele chamou uma galera pra tocar ao redor de uma fogueira em seu quintal, e o pessoal virou a noite fazendo muita música. Eu e a Grazi, por incrível que pareça, dormimos em um colchão, ao ar livre, e não ouvimos NADA! Estávamos com tanto sono que mal vimos as pessoas chegando. No outro dia, se o Rafa tivesse me dito que a festa nem tinha rolado, eu acreditaria.

Local aonde passamos a noite. Dentro da barraca (cedida pelo Rafa), nossos pertences ficaram guardados. Do lado de fora apenas um colchão, suficiente para dormirmos e descansarmos bastante



No outro dia conheceríamos as cachoiras chamadas de Cânions e Cariocas...


Saldo do dia

+30 reais - Doações
- 6,5 reais - Frutas

TOTAL: + 23,5 reais

terça-feira, 15 de setembro de 2015

10° dia de viagem - 21/05/2015

Ainda meio cansados, decidimos ir até o Moinho novamente. Da primeira vez que fomos para lá, tínhamos a intenção de visitar a vila Flor de Ouro, mas acabamos não indo (ver 4° dia de viagem). Dessa vez porém acabamos chegando no destino desejado.

Antes de chegar na vila, pegamos carona com um turco (não me lembro de seu nome) que nos deixou a apenas 3 km da entrada do Moinho. Como o percurso total beira os 8 km, ficamos bem agradecidos. Ele nos contou que veio morar no Brasil com sua mulher, e havia comprado terras para montar futuramente uma vila sustentável com seus amigos. Além disso, assim como outras pessoas com quem conversamos, ele nos disse que fazia uso do Ayahuasca e participava dos rituais.


Vila Flor de Ouro

Queríamos muito conhecer a vila Flor de Ouro por achar que a mesma era uma ecovila, isto é, uma vila sustentável. Porém, ao conversar com um dos moradores, nos foi esclarecida essa questão. A vila não chega a ser sustentável pois os que lá vivem ainda dependem de recursos externos para que possam se manter. Mesmo assim, a água que utilizam vem de um dos rios que passam por perto, e parte da comida é colhida do plantio feito na própria vila.


Vila Flor de Ouro
 
 
As casas, conforme mostra a foto, são bioconstruções, feitas com intuito de agredir o menos possível a natureza. Tem esse formato arredondado que lhes da um aspecto bem esquisito, e eu particularmente gosto bastante.
 
 
O terreno da Flor de Ouro é bem grande, e espaço ali era o que não faltava. Havia um espaço para confraternização, para produção de materiais artísticos, e para meditação. Havia também uma horta comunitária, uma cozinha comunitária, e estava em andamento a construção de um "banheiro seco" quando visitamos o local. Este último é, de forma bem básica, um banheiro que não gasta uma gota de água com descarga, e ainda aproveita as fezes para gerar material orgânico que futuramente pode ser usado como adubo.

Templo

 
Eu e a Grazi nos interessamos bastante por esses estilos de vida diferentes, mais próximos da natureza, e por isso queríamos conhecer a Flor de Ouro. A visita foi muito agradável, e lá ouvimos mais detalhes sobre algo que já era de nosso conhecimento: o trabalho voluntário.
 

Para quem deseja passar um tempo na vila, há a possibilidade de trabalhar em troca de estadia e alimentação. Todos ganham nessa, pois quem trabalha aprende (entre outras coisas) técnicas de plantio, e o restante da vila se beneficia com o trabalho dos voluntários. Na verdade, quem já vive por lá parece ter isso bem enraizado: o trabalho pensando no coletivo, e não apenas no individual.
 
 
Apesar de em outros lugares não haver necessidade de pagamento pela estadia, especificamente na Flor de Ouro deve-se pagar uma quantia (não lembro quanto) para ficar lá. A princípio o valor é um pouco maior, pois há um período de adaptação (alguns dias) no qual o voluntário vê se de fato é esse tipo de vida que quer levar nas próximas semanas ou nos próximos meses. Além disso, nesse período os moradores sentem se o voluntário se "encaixa" na vila. Se após esse período o voluntário quiser de fato continuar lá, e se os moradores se sentirem a vontade com ele, a taxa para estadia diminui bastante a partir de então.
 
 
 Regrinhas da cozinha comunitária
 
 
Conversamos com uma equatoriana que estava lá há um pouco mais de um mês com seu companheiro. Ela nos explicou a dinâmica da vila (horários, regras, etc) de forma muito simpática. Pegamos os nomes de outras vilas que funcionam na mesma pegada, só que em outros países aqui da América Latina.
 
 
Visita à casa do Muriel

Após sair da vila, como já estávamos no Moinho, decidimos visitar o Muriel e sua família. Novamente fomos recebidos muito bem. Descansamos na rede e comemos frutas. Dessa vez, porém, o Muriel estava meio doente e de cama. Passamos então o tempo conversando com sua mãe.

A tarde foi bem agradável, mas mesmo tendo descansado no dia anterior, ainda nos sentíamos meio cansados. Além disso já estava anoitecendo, e tínhamos uma trilha pela frente para voltar à cidade. Nos despedimos então, e seguimos rumo à trilha. Nem a inicíamos pois sabíamos da possibilidade de pegar uma carona até a cidade, e de fato, após alguns minutos, um carro passou e nos pegou.

Chegada na cidade e as deliciosas broas de milho

Ao chegar na cidade fomos deixados no centro. Lá, entramos em um restaurante muito bonito e experimentamos suas broas de milho. Foram as coisas mais gostosas que comemos em dias (rs!). A mulher que nos atendeu disse que seu marido é quem cozinhava tudo. A Grazi até brincou "como essa mulher não é gorda com um marido desses?". A princípio não iríamos comer muito, mas acabamos pegando mais, de tão gostosas que estavam.

Depois da pequena refeição, voltamos para casa e dormimos cedo. No dia seguinte, iríamos de novo para São Jorge para visitar os locais até então não visitados.

Saldo do dia

3,75 reais - Bananas
5,45 reais - Broas

TOTAL: 9,2 reais

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

9° dia de viagem - 20/05/2015

Lembram da meditação budista que participamos no 3° dia de viagem? Pois bem, naquele dia nos foi feito um convite para conhecera escola Vila Verde (local aonde ocorreu a meditação) funcionando, com os estudantes presentes. Nos planejamos então para ir até a escola naquele dia na expectativa de verificar o método não tradicional de ensino aplicado.

A visita à escola Vila Verde

Já estávamos prontos para sair quando Nirmana passou na casa para ver se estava tudo bem. Na noite anterior ela até ia passar para nos levar até uma fogueira na casa de uma amiga, mas o pneu de seu carro havia zuado. No fim das contas foi bom ela não ter passado pois, como eu disse, dormimos por volta das 20:00.

Ela nos deu carona então até a escola. Chegando lá, batemos mó papo com a diretora, que nos contou a história da escola, suas características, entre outras coisas. Só paramos de conversar pois os pais de um dos alunos iriam visitar a unidade rural da escola, e iriam dar carona para a diretora. Lá, seriam discutidas questões de infraestrutura da unidade rural (recém construída e já em funcionamento). Mais uma vez surgiu uma oportunidade e nós "abraçamos": nos convidaram para conhecer a unidade rural. Aceitamos, claro

Unidade rural da escola Vila Verde

Lá pudemos conversar com alguns professores, e nos encontramos novamente com Fernando, o mesmo que participou da meditação com a gente no 3° dia de viagem. O local era muito bonito, e bem afastado de tudo. Notei que as crianças tinham muita liberdade, um fator que considero bem positivo para um aprendizado significativo. No intervalo, algumas subiam em árvores, enquanto outras brincavam perto de uma espécie de fosso (na verdade, era um grande buraco feito na terra, e cheio de água, local de onde tiraram matéria prima para fabricação de adobe, que por sua vez foi utilizado na construção das paredes da escola). Não havia nenhum inspetor pra encher o saco e dizer o que era ou não permitido fazer. As crianças gozavam de muita autonomia, e obviamente fiquei encantado.

Escola Vila Verde

Como mostra a foto, a escola tinha muita cor! Além disso, palavras estavam presentes em todas as portas, como "respeito" ou qualquer outra coisa positiva. Passamos o dia andando pelo lugar, conhecendo a estrutura física, conversando com alguns professores, como já disse, e de quebra ainda tomamos um chá e comemos um pão caseiro com o pessoal. Por fim, na hora de saída, adivinha quem encontramos? Sim, ela novamente: Nirmana! A filha dela estudava naquela unidade, e ela tinha ido buscá-la. Como de costume, nos deu mais uma carona, dessa vez até o centro da cidade.

Dia do descanso

Desde o início da viagem havíamos tido muitas experiências, e todas elas muito intensas. Decedimos que precisávamos de um dia para descansar, não só fisicamente, mas também mentalmente. Passamos então a tarde em uma praça, lendo, tomando sol, ou simplesmente não fazendo nada.

Grazi lendo sobre a história da educação no mundo

Um detalhe curioso de Goiás é que você não precisa ir muito longe para encontrar um tucano. Já tínhamos visto alguns pela cidade, e nesse dia conseguimos tirar uma foto. Segue abaixo

Tucano no meio da cidade

Nirmana havia nos chamado para uma aula de expressão corporal que aconteceria a noite, no centro da cidade. Não compensaria irmos para casa, e depois voltarmos para o centro, então ficamos o dia todo na praça mesmo.

Aula de dança e expressão corporal

Chegando no local, aguardamos a chegada do professor e dos participantes. Um deles, para nossa surpresa, era a francesa Isabele, que conhecemos no dia em que voltamos do Moinho (15/05, 4° dia de viagem). Fizemos a aula (muito legal, inclusive) e voltamos para a casa de carona com Nirmana, que a essa altura já era nossa "caronista" oficial (rs!)

Saldo do dia

3 reais - 5 pães
1,7 reais - pimentões, laranjas e paçoquinha
2,75 reais - 6 pães
1,4 reais - batata doce

TOTAL: 8,85 reais

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

8° dia de viagem - 19/05/2015

Esse dia foi inesquecível!

A noite foi tranquila. Dormimos rapidamente, e de manhã já não havia mais preocupação. Desmontamos nossa barraca, guardamos nossas coisas, e seguimos em direção ao complexo de pequenas cachoeiras chamado Loquinhas (se lê Lóquinhas). No caminho, vimos um senhor cuidando do jardim de uma igreja, e com ele fomos conversar. Pedimos para deixar nossas mochilas por lá, pois não queríamos carregar muito peso durante o passeio. Ele foi muito gentil e aceitou o pedido.

Chegando nas Loquinhas, e o encontro com Nirmana

Iniciamos o trajeto, e no caminho pegamos carona com Nirmana, uma moradora de Alto Paraíso. Ela nos falou da vida tranquila que levava na cidade. Naquele momento, inclusive, ela voltava de uma aula de Yoga. Por morar ali perto, ela nos deixou em frente a entrada das Loquinhas. 

Assim como no Vale da Lua, demos uma boa pechinchada, pois a entrada era 20 reais por pessoa. Acabamos pagando 6 reais cada um, conseguindo portanto por 12 reais entrar em um dos lugares mais lindos que já vi!

Para tristeza da Grazi, o local não permitia nudismo

Eu, como bom são paulino, achei minha praia!

O local era dividido em "poços". Em cada um deles, uma pequena cachoeira. Fomos visitando um a um, num total de 7 poços.

1. Poço do Curupira

Se não me engano esse era o menor de todos, mas não menos bonito. Como havíamos acabado de chegar, decidimos mergulhar só depois de já ter conhecido alguns poços.

Poço do Curupira

2. Poço do Curumin

Esse poço já era um pouco maior que o primeiro. Nesse, a Grazi não resistiu e molhou as pernas na água. Posteriormente comemos um abaxi delicioso, e gravamos até um vídeo, tirando uma com quem naquele momento estava na cidade, em meio ao trânsito, ou trabalhando (rs!)
 Poço dos Curumins

3. Poço da Siriema

A área para mergulhar não era tão grande, mas a água descia por um conjunto de pedras que mais parecia uma escada. Muito bonito!

Poço da Siriema

4. Poço da Vovó

Conforme avançava, me perguntava sobre os nomes dos poços. Quem será que os escolheu? Os lugares em que havíamos passado em nada lembravam siriemas, curupiras, muito menos uma vovó

Poço da Vovó

Ficamos pouco tempo nesse. Tiramos inclusive uma foto apenas. Em seguida, chegamos em um dos mais lindos de todos, o Poço do Xamã.

5. Poço do Xamã

Que lugar incrível! Nesse nós mergulhamos e tiramos várias fotos. Aliás, o mergulho era meio que necessário, pois precisávamos de um banho (rs!)

Poço do Xamã

Era até meio difícil acreditar que eu estava ali, de verdade. Eu olhava diversas vezes ao meu redor, e parece que a ficha não caía. Ficamos um bom tempo no poço do Xamã curtindo a natureza e relaxando em meio a tanta beleza.

6. Poço do Pajé

Apesar do Sol, não estava tão calor assim não. Depois de um mergulho então, eu já nem pensava em entrar de novo na água. No poço do Pajé apenas demos uma passada e já partimos para o próximo.

Poço do Pajé

7. Poço do Sol

Apesar de ter uma galera nesse Poço, esse e o do Xamã foram os que mais curti. Foram também os lugares em que por mais tempo ficamos

Grazi comendo uma goiaba no Poço do Sol

A bateria do meu celular acabou um tempo após essa foto, mas ao menos conseguimos registrar todos os lugares que visitamos no dia. Conseguimos dar uma boa relaxada também após dias de muitas caminhadas.

O reencontro com Nirmana

Na volta, um acontecimento curioso: pegamos carona novamente com Nirmana, dessa vez rumo ao centro da cidade. Contamos sobre nossa viagem, e ela nos ofereceu um lugar para ficar. Disse que uns amigos haviam viajado, e poderíamos acampar no quintal da casa deles. 

Fiquei muito grato por aquela incrível coincidência (pegar carona na ida e na volta com a mesma pessoa), e por ela ter sido tão generosa. Aliás, essa generosidade foi algo que nos acompanhou durante boa parte da viagem. Muitas pessoas nos ajudaram, e o fizeram pela simples vontade de ajudar. Para quem vive na cidade grande (local em que atitudes de bondade, respeito, generosidade e compaixão não são exercidas com tanta frequência) e não está acostumado com essas relações entre as pessoas, foi uma experiência muito rica, acompanhada de uma sensação de bem estar muito grande! Espero repetir a dose.

Fomos então até a igreja, agradecemos o jardineiro, colocamos nossas mochilas no carro de Nirmana, levamos sua filha até um instituto de dança no centro da cidade, deixamos nossas coisas na casa dos amigos dela, fomos até uma feira tradicional de Alto Paraíso, e por fim ela nos deixou em frente a casa do casal que nos levou à meditação budista. Pedimos para que ela nos deixasse lá pois queríamos cozinhar algumas coisas, mas não tínhamos cozinha para isso. Pretendíamos pedir ao casal que nos emprestasse sua cozinha por alguns minutos para fazermos um macarrão com legumes, e foi o que aconteceu. Novamente foram muito atenciosos com a gente, e cederam não só a cozinha, como também alguns temperos muito gostosos para incrementar nosso almoço.


Quintal da casa em que acampamos

Após um delicioso almoço, andamos até a casa cedida por Nirmana (que não era muito distante do centro da cidade), e esperamos anoitecer. Dormimos por volta das 20:00!

Saldo do dia

11,75 reais - Abacaxi, 6 goiabas, 1 mamão, 2 latas de milho, 500 g de macarrão e molho
2,4 reais - 4 pães
12 reais - Loquinhas
3,35 reais - 12 bananas
5,6 reais - 2 abacaxis, 1 abacate e 8 goiabas
0,5 reais - café
1,8 reais - 3 pães

TOTAL: 37,4 reais

domingo, 23 de agosto de 2015

7° dia de viagem - 18/05/2015

Vimos que havia uma ecovila perto de uma trilha que dava para dois pontos turísticos de São Jorge (o Abismo e a Janela). Acordamos cedo, como de costume, e iniciamos então essa trilha. Andamos bastante (isso também já estava virando rotina rs!) mas não encontramos nenhuma vila, muito menos eco. Ao menos a vista ao longo da caminhada era interessante, como mostrada na foto abaixo

Trilha rumo ao Abismo/Janela

Podem imaginar que após tanto andar, deveríamos aproveitar e visitar os pontos turísticos mencionados. Já estávamos ali, não é verdade? Contudo, como disse em postagem anterior, estávamos sem dinheiro em espécie, e a entrada era paga. Paramos para comer embaixo de uma árvore, e decidimos voltar para Alto Paraíso naquele mesmo dia, e não na terça-feira, conforme havíamos planejado no dia anterior.

Despedida de Maurício e volta para Alto Paraíso

Por volta das 17:00 nos despedimos de Maurício, e iniciamos nossa volta para Alto Paraíso. Agradecemos muito a hospitalidade, e chegamos ao consenso de que o Maurício, nas palavras da Grazi, "É um cara que tem grana, mas sabe viver a vida!". De fato, quanta simplicidade e quanta energia pra viver a vida!

Nosso anfitrião, guia de turismo e amigo, Maurício

Logo na entrada da cidade há uma placa com o desenho de um carro e os dizeres "Ponto de carona solidária". Ficamos ali esperando, e pegamos carona com um caminhão. Fomos na parte de trás. O vento forte e a poeira nos deixaram com cara de verdadeiros mochileiros (rs!)

Carona para Alto Paraíso

Chegando em Alto Paraíso, tomamos um açaí (pois ninguém é de ferro rs) e compramos algumas coisas no mercado. Posteriormente fomos até a casa da Mara (aquela que conhecemos na meditação, e que no outro dia nos acompanhou até o Moinho), mas chegando lá não havia ninguém. Ficamos esperando nas escadas da entrada. Imaginamos que ela poderia ter saído para andar, e depois de algum tempo já estaria de volta, pois começava a anoitecer. Quando um carro encostou ali perto, imaginamos "É a Mara, chegando com alguma carona". Contudo, eram duas mulheres, também procurando a Mara. Elas nos disseram que iriam se reunir na casa de alguém para jantar, e estavam lá justamente para levar a Mara ao jantar.

As mulheres foram embora após alguns minutos, e um tempo mais tarde a Mara apareceu. Perguntamos se podíamos dormir em sua casa, mas ela aparentava estar meio atordoada, e disse que estava passando por um momento ruim. Entendemos a situação e tivemos que achar outra solução: dormir na rua. Montamos nossa barraca em um gramado, ao lado de uma casa, e por ali ficamos.

Local aonde passamos a noite. A foto foi tirada na manhã do dia seguinte

Deitei torcendo para que o dia seguinte amanhecesse logo, pois dormir na rua tem seus riscos. Logo ao entrar na barraca, ligamos a lanterna, e alguns segundos depois senti algo em meu rosto. Um golpe! O susto foi muito grande, obviamente potencializado pela tensão em estar ali, no escuro, sem muita proteção. Rapidamente entendi o que tinha acontecido, mas aquela fração de segundo em que demorei pra entender foi apavorante. Um gato viu a luz de dentro da barraca, e deu uma patada na mesma, que veio a atingir meu rosto (rs!). Senti suas unhas afiadas, e soltei um grito, que por sua vez assustou a Grazi. Passado o susto, rimos bastante do acontecido.

Saldo do dia

10,2 reais - Açaí, 20 bananas, farinha de milho e molho de tomate

TOTAL - 10,2 reais

6° dia de viagem - 17/05/2015

Trilha até os saltos

Acordamos por volta das 8:00 e fomos fazer trilha com o Maurício no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, lugar muito bem estruturado, com mapas e sinalizações ao longo das trilhas. Ao longo do caminho conversamos bastante, e Maurício nos contou sobre várias viagens que havia feito.

Foto tirada na volta, mas que mostra a entrada do Parque Nacional

 Sinalização ao longo da trilha

O ritmo da caminhada foi forte, e logo chegamos ao primeiro salto, chamado de salto 120 (por ter 120 metros de altura!)

Salto 120

As imagens nunca irão mostrar o que meus olhos viram. Estar lá e se sentir inserido naquele ambiente trouxe uma sensação única. Olhar em volta e se ver cercado por uma vegetação diferente e por montanhas, ouvir os sons dos animais e da água corrente ao fundo, sentir o cheiro do local, enfim, foi tudo muito especial. 
Queda d'água de 120 metros de altura

Ficamos por algum tempo observando a queda d'água, e na minha cabeça com frequência vinha um pensamento: "Como a natureza é FORTE!". E que força tem a natureza, não? Como somos pequenos perante toda aquela quantidade de rochas, perante toda aquela quantidade de árvores, perante todos aqueles milhares de litros de água despejados de uma altura muitas vezes maior do que nossa estatura.

Salto 80
 
Andamos mais um pouco, e eu particularmente não poderia esperar algo melhor do que estava por vir: queda d'água com espaço para nadar. Chegamos ao salto 80 (chamado assim por ter 80 metros de altura), e constantei que o lugar conseguia ser mais bonito que o anteior. A água era cristalina, mas olhando de longe ela parecia ser bem escura. Na margem, conseguíamos ver até os peixes nadando, mas mais ao fundo já não era possível ver nada de tão escura que a água era.

Paisagem vista no caminho para o Salto 80

O calor do Sol se intensificava conforme o tempo ia passando, e não pensamos duas vezes antes de pular na água (gelada!) para dar um mergulho. Bem, pra falar a verdade não pulamos. A Grazi foi mais corajosa que eu e entrou até que rápido. Eu fiquei enrolando, e fui entrando aos poucos (rs!)

Salto 80

Quando chegamos o local estava praticamente vazio, mas com o tempo pessoas foram chegando. Maurício, que provavelmente já visitou muitas vezes o local, foi embora antes que a gente. Como eu disse, a trilha era muito bem sinalizada, e não tivemos problemas para voltar. Na volta, inclusive, encontramos com o casal que havíamos conhecido no dia anterior, no Vale da Lua. Dividimos algumas castanhas e frutas secas, conversamos um pouco, e nos despedimos novamente.

Na volta, senti uma dor no joelho. Uns 15 dias antes eu havia feito uma trilha em Paranapiacaba, e havia batido o joelho direito em uma pedra. Mas isso não justificava a dor, até porque estava sentindo nos dois joelhos. Mesmo assim completamos a trilha de volta, devagar, e chegamos em casa 14:30.

Planejamento

A ideia até então era ficar até o dia seguinte no Maurício, em São Jorge. Como ele voltaria para Alto Paraíso na terça de manhã, pegaríamos carona com ele, e lá chegando procuraríamos ou a Mara, ou o casal que nos levou a meditação budista para pedir abrigo. Não compensaria continuar em São Jorge pois os outros lugares que gostaríamos de visitar eram pagos, estávamos sem dinheiro em espécie, e na cidade não tinha caixa eletrônico. Em Alto Paraíso pelo menos poderíamos sacar uma grana, visitar os locais até então não visitados da cidade, e depois voltar para São Jorge para conhecer o resto de suas belezas naturais.

Como já escrevi aqui, nossa viagem não foi fechadinha, e deixamos as coisas fluírem. Conforme as oportunidades surgiam, nós abraçávamos.

Saldo do dia

Nesse dia não gastamos nada!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

5° dia de viagem - 16/05/2015

Acordamos naturalmente por volta das 6:30 da manhã. Nesse dia iríamos encontrar Maurício, em Alto Paraíso, e ele nos levaria até São Jorge, cidadezinha menor ainda, localizada ali perto. Havíamos combinado com ele pelo couchsurfing de ficar em sua casa no final de semana, e eu estava ansioso para conhecer o Parque Nacional.

Despedida do Nill e seu sobrinho

Nos despedimos então do Nill e seu sobrinho, agradecemos a estadia, demos 30 reais pelos dias em que ele generosamente nos forneceu banho quente e uma cama para dormir, e fomos encontrar o Maurício. O encontramos, nos apresentamos, e seguimos rumo a São Jorge. No caminho, paramos para experimentar licores e cachaças no Rancho do Waldomiro, e depois, um pouco a frente, paramos para apreciar a incrível paisagem - o Jardim de Maitreya

Jardim da Maitreya

São Jorge
 
Chegamos em São Jorge, e após nos alojarmos fomos conhecer o Vale da Lua. Não estava mais tão cedo, mas mesmo assim decidimos conhecer um dos pontos turísticos da cidade. Nos informamos sobre o caminho a seguir, e fomos só nós dois, pois o Maurício já tinha outro rolê marcado

Duas trilhas poderiam ser feitas. Uma, os moradores conheciam muito bem, e funcionava como atalho, pois sua entrada era logo ao lado da cidade, em algum ponto da rodovia. A outra trilha tinha sua entrada bem mais a frente, porém era de acesso mais fácil. Preferimos arriscar e ir na trilha mais próxima

Quase perdidos!

Para achar o começo da trilha já deu trabalho. A vimos da rodovia, mas não achávamos seu início. Cortamos então pelo mato mesmo, e chegamos até a trilha. Outro problema então surgiu: qual sentido seguir? Direita ou esquerda? Optamos por seguir pela esquerda. Andamos, andamos, e as várias bifurcações nos confundiram. Voltamos então pelo caminho que tínhamos feito, e nada! Depois de tanto andar, não iríamos desistir! Só depois de muito tempo é que encontramos o caminho certo, e aí foi uma grande alegria!!

Vale da Lua

Quando finalmente chegamos no Vale, já era umas 17:30. Pela plaquinha na entrada do vale, às 18:00 já fechavam o lugar, e além disso era 15 reais por pessoa. Conversamos com o responsável, explicamos que estávamos com pouca grana, viajando de carona, e já estava quase no horário de encerramento. Ele nos deixou entrar por 10 reais apenas (5 reais para cada um). Conseguimos aproveitar bastante, até porque o horário de encerramento se extendeu até umas 18:30. O lugar era lindo, sem dúvida valeu muito a pena!

Conhecemos um casal muito simpático do RJ que nos deu carona na volta para São Jorge. Fomos recebidos com um por-do-sol sensacional. O céu estava todo colorido, conforme mostra a imagem abaixo:

Por-do-Sol em São Jorge

A noite em São Jorge
 
Chegamos com fome, e fizemos uma macarronada com muitos legumes. Após a refeição saímos para conhecer a cidade com o Maurício, que por sua vez parecia conhecer todo mundo. Nos apresentou a algumas pessoas, e nos mostrou os bares e restaurantes da cidade. Nos encontramos até com visitantes de outro planeta!



Notamos que a noite em São Jorge era bem mais agitada que em Alto Paraíso. O clima era muito mais de festa do que qualquer outra coisa. Em todo canto tinha gente tocando algum instrumento, cantando e/ou dançando.

Uma das pousadas que visitamos tinha uma estrutura em espiral, e em cada andar havia um colchão. Quem quisesse poderia passar a noite ali, olhando as estrelas. Só não me lembro o valor, mas parecia valer a pena, pois a vista era incrível.

Terminamos a noite aguardando ansiosamente o dia seguinte, pois nosso anfitrião Maurício nos levaria até algumas cachoeiras. Mais uma vez nosso dia havia sido muito proveitoso, e dormi muito tranquilo.

Saldo do dia

30 reais - Contribuição pela estadia com Nill
10 reais - Entrada para o Vale da Lua

TOTAL - 40 reais

quinta-feira, 16 de julho de 2015

4° dia de viagem - 15/05/2015

Acordamos de manhã ao som de um caminhão de frutas que passava pela rua. Nossa reação foi instantânea: saltar da cama e ir às compras! Conseguimos comprar muitas frutas e legumes a preços bons. Tomamos café da manhã com frutas e castanhas, e fomos andar pelas partes altas da cidade. Vimos uma flor muito brilhante, que apelidamos de "flor de LED", pois de fato pareciam fios de LED saindo da planta

Grazi e as flores de LED

Do alto avistamos de longe uma casa muito diferente. Parecia uma casa alienígena, futurista, com janelas circulares e paredes brancas. Resolvemos ir até ela de alguma forma, nos restando descobrir um caminho que nos levasse até a mesma.

Casa "alienígena"

Queríamos conversar com o dono para perguntar sobre a casa, pois parecia ter sido construída no modelo sustentável, e esse é um assunto que nos interessa: sustentabilidade.

Casas sustentáveis

Procuramos então pela casa "alienígena" e durante a busca nos deparamos com a construção de uma casa feita de adobe, um material que substitui o tijolo muito bem. É mais barato, dura mais, e agredide menos o meio ambiente. Conversamos com os pedreiros sobre preços, formas de construção, tempo de conclusão da obra, entre outras coisas. Além da casa em construção, havia outra ali próxima, já quase concluída, seguindo o mesmo modelo sustentável. Fomos até ela e entramos (não havia ninguém). As paredes eram de adobe também, a tinta utilizada nas paredes era ecológica, as janelas circulares, a estrutura feita com sacos de areia e pneus, e a telha era viva, estruturada com bambus.

Casa sustentável


Seguimos em frente e chegamos em uma pousada chamada Cata-Vento. O gerente do local nos levou até a casa que estávamos procurando desde o início, e disse que aquela de fato era uma casa que havia sido construída visando ser sustentável. Contudo, havia alguns problemas nela, o que fez com que a proprietária não quisesse residir lá. Pelo que entendi, a obra estava parada.

Vilarejo Moinho e a família de Muriel

Nesse dia andamos bastante. Saímos da pousada, e fomos ao vilarejo conhecido como Moinho. Nossa intenção era conhecer o sítio Flor de Ouro, localizado nesse vilarejo. No caminho encontramos com Mara, uma senhora de olhos claros que havia participado da meditação budista no dia anterior. Ela resolveu nos acompanhar ao longo da trilha, mostrando ser uma pessoa muito ativa. Ficamos encantados com sua disposição em viver a vida. Antes de chegar ao vilarejo, pegamos uma carona com Louro (obviamente, esse era seu apelido, e não seu nome), um senhor que reside no Moinho

Paisagem ao longo da trilha


Lá chegando, ao invés de irmos até a Flor de Ouro, seguimos Mara até a casa de uma conhecida dela. Fomos apresentados à Joana e à sua família. Muriel, seu filho de 15 anos, nos apresentou seu quintal repleto de árvores frutíferas e vegetais. Disse que tudo aquilo era natural, sem adição de produtos químicos, e que ele e sua família usufruíam muito do que tinha ali. Ressaltou que quase nunca ficava doente (óbvio!). Particularmente fiquei fascinado pela esperteza do rapaz. Ele disse que queria fazer culinária e ser fotógrafo. Com relação ao primeiro interesse, já havia entrado em contato com uma cozinheira da região e estava tendo aulas gratuitas. Seu sonho, segundo ele, era montar um restaurante, no próprio vilarejo, para atender as pessoas de sua comunidade. Simplicidade acompanhada de muita lucidez.

Uma das lindas flores encontradas no Moinho

Seu pai, Moacir, chegou momentos depois e nos convidou para almoçar. Almoçamos todos juntos, e ainda levamos várias frutas pra casa. Até cana levamos, cortadas e descascadas pelo Muriel. 

O almoço

Nossa tarde foi incrível, e me senti imensamente grato pela hospitalidade daquela família. Como já estava meio tarde para conhecer a Flor de Ouro, decidimos voltar pra casa e conhecer o sítio em outro dia

Doces veganos para fechar o dia!

Na volta, é claro, pegamos uma caroninha com o amazonense Guará e uma francesa chamada Isabele. Quando perguntei o que ela fazia, ela disse que se empenhava em viver sem trabalhar (rs!). O fusca vermelho do Guará aguentou o tranco, e chegamos no centro da cidade. Aproveitamos o grande número de opções vegetarianas e comemos alguns doces. Já era noite quando chegamos na casa do Nill. Após conversar sobre o dia, dormimos cedo (umas 21:30). Eu, ansioso pelo dia seguinte

Saldo do dia

36,00 reais - Feira (4 dúzias de banana, 20 maçãs, cenoura, batata doce, inhame, tomates, 2 abacaxis e 20 tangerinas)
7,50 reais - Doces veganos
1,80 - Broas de milho

TOTAL: 45,3 reais

quarta-feira, 1 de julho de 2015

3° dia de viagem - 14/05/2015

Acordamos bem cedo, comemos o restante das frutas e alguns pães, comprados em uma padaria próxima ao posto onde dormimos. Usamos o banheiro (ainda bem que tinha um disponível) do próprio posto, e aguardamos até a chegada do Matheus, rapaz que através do Facebook combinou de nos dar carona de Brasília até Alto Paraíso. O pessoal do grupo de caronas no Face geralmente pede 35 reais por pessoa, mas explicamos nossa situação e ele aceitou fazer por 25 cada um, ou seja, 50 no total.

Manhã de frio em Brasília


A polícia militar nos parou!

Logo que iniciamos a viagem, Matheus acendeu "unzinho". Nos ofereceu, mas não fumamos. Pouco depois, a polícia militar, em uma blitz, nos parou. Matheus tratou de esconder rapidamente o cigarro de maconha, enquanto saíamos do carro. Os policiais apontaram armas, e foram bem claros: "Todos pra fora com a mão na cabeça, AGORA!". Fomos revistados, e perguntaram se havia drogas no carro. Matheus admitiu que tinha um "fuminho", mas deixou claro que só ele era usuário. Enquanto a revista no carro era feita, outro policial conversou comigo, e ficou espantado quando eu disse que estávamos vindo de SP, de carona.

Engraçado mesmo foi quando começaram a revistar meu mochilão e encontraram meu pote de desodorante caseiro. Ele é uma mistura de óleo de coco com bicarbonato de sódio e mais algumas coisas naturais. Era de se esperar que um pouco de pó branco dentro de um pote chamasse a atenção de policiais, não é mesmo? Após esclarecer que se tratava de um produto de higiene apenas, o policial não chegou a procurar muito mais coisas, e deu uma olhada no mochilão da Grazi. O policial em questão tirou algumas sacolas de castanhas, nozes, frutas secas, olhou para um dos colegas de profissão e disse "Só coisas naturais aqui...", desistindo assim de uma busca mais apurada. Sua expressão era de "Estamos perdendo tempo com esses malucos naturebas", e ainda bem que ele não revirou tudo, pois nossos mochilões estavam muito organizados.

Após um leve sermão, ele só apreendeu a droga e nos deixou ir, orientando o motorista a não correr muito, e a parar com seu vício. Imaginei a quantidade de vícios que tais policiais tem, assim como grande parte da população mundial, por drogas lícitas, ou por produtos não vistos como "vilões". Mas isso não vem ao caso...

A chegada em Alto Paraíso, na casa do Nill

Havíamos combinado através do aplicativo "couchsurfing" de ficar alguns dias hospedados na casa do Nilton, conhecido por "Nill". Após o susto na estrada pela blitz policial, chegamos bem na pequena cidade, e fomos muito bem recebidos, por volta das 13:30.

Sorriso frugal - alegria por chegar em Alto Paraíso



Nill mora com seu sobrinho, e se auto considera um "quase xamã". Na sala, fotos de Jesus, de uma representação divina da Índia (Ganesha, se não me engano), e de uma mulher indígena. Praticante dos rituais que utilizam Ayahuasca (também chamado de Santo Daime) há mais de 20 anos, Nill nos proporcionou longas conversas. Sua visão de mundo, meu conhecimento sobre física e as experiências da Grazi deram origem a um bate-papo bem maluco, como era de se esperar

Passeio pela cidade e meditação budista

Fomos conhecer a cidadezinha, após um banho (finalmente!) e um descanso merecidos. Andando pela rua, ao passar por algo que parecia um templo, aproveitamos o portão aberto e entramos pra ver o que era. Fomos atendidos por Luis, que nos informou que aquilo não era um templo de meditação, mas sim sua casa. Por coincidência ele iria em uma meditação budista no centro da cidade dali a meia hora, e perguntou se gostaríamos de ir. Nós aceitamos. Ele nos convidou então para entrar em sua casa, nos apresentou a sua mulher e uma amiga, e por fim nos levou de carro até uma escola, chamada Escola Vila Verde, aonde aconteceria a meditação.

Essa foi a pegada da nossa viagem: deixar fluir. Por não termos fechado nenhum pacote de turismo, por termos pouca grana, e por termos bastante tempo, simplesmente deixamos as coisas acontecerem. Isso foi muito bom, pois tivemos experiências fantásticas desse modo. Conforme eu for descrevendo nossa viagem, creio que vá ficar bem evidente como o "deixar levar" pode ser algo muito proveitoso.

A Escola Vila Verde e seu método de educação diferenciado

Ao chegarmos, fomos apresentados ao Fernando e à sua mulher, ambos do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), e coordenadores da escola Vila Verde. Luis dizia "Eles vieram de São Paulo DE CARONA com caminhoneiros!" enquanto cumprimentavámos as pessoas, gerando é claro olhares bem espantados.

A Escola Vila Verde tem ligação com o CEBB, e por isso a meditação ocorreria ali, na escola. Pelo menos foi isso que entendemos, a princípio. Fizemos 20 minutos de meditação, e entoamos alguns mantras.

Antes da meditação começar, enquanto o pessoal chegava, Grazi reparou que em uma lousa estava o cronograma dos estudantes, e havia ali algumas atividades que indicavam que o modelo de ensino da escola era diferente do que estamos acostumados. Nós, como professores, ficamos bem interessados naquilo, até porque criticamos muito o modelo tradicional de ensino, no qual o professor é visto como detentor de todo o conhecimento, enquanto os estudantes são vistos como folhas em branco, preenchidas pelo professor. Esse método conteúdista e ultrapassado, aparentemente, ali não era praticado. Recebemos então o convite de visitarmos, em algum outro dia, a outra unidade da escola, localizada no meio rural. Obviamente, aceitamos!

Antes de voltarmos pra casa, passamos em um restaurante para tomar um chá.

Retorno pra casa e expectativas para o outro dia

Cheguei em casa muito satisfeito, e muito grato por tudo o que tinha acontecido no dia. Como era possível estar tudo dando tão certo? Conseguimos carona até Alto Paraíso (uma cheia de emoção, aliás), graças ao Nill conseguimos nos instalar na cidade, depois passeando pela mesma fomos convidados de forma tão simpática pelo Luis a entrar em sua residência, a meditar com pessoas maravilhosas, que por sua vez nos convidaram a conhecer outra unidade da escola... Nossa! Sem dúvida foi um dia intenso. E isso foi só o primeiro dia.

Mal sabíamos que o dia seguinte seria também repleto de coisas boas...

Saldo do dia

50,00 reais - Carona
2,30 reais - Pães
8,70 reais - Macarrão vegano (1 kg), molho de tomate, milho e cenoura
3,00 reais - Chá

TOTAL: 64 reais