terça-feira, 15 de setembro de 2015

10° dia de viagem - 21/05/2015

Ainda meio cansados, decidimos ir até o Moinho novamente. Da primeira vez que fomos para lá, tínhamos a intenção de visitar a vila Flor de Ouro, mas acabamos não indo (ver 4° dia de viagem). Dessa vez porém acabamos chegando no destino desejado.

Antes de chegar na vila, pegamos carona com um turco (não me lembro de seu nome) que nos deixou a apenas 3 km da entrada do Moinho. Como o percurso total beira os 8 km, ficamos bem agradecidos. Ele nos contou que veio morar no Brasil com sua mulher, e havia comprado terras para montar futuramente uma vila sustentável com seus amigos. Além disso, assim como outras pessoas com quem conversamos, ele nos disse que fazia uso do Ayahuasca e participava dos rituais.


Vila Flor de Ouro

Queríamos muito conhecer a vila Flor de Ouro por achar que a mesma era uma ecovila, isto é, uma vila sustentável. Porém, ao conversar com um dos moradores, nos foi esclarecida essa questão. A vila não chega a ser sustentável pois os que lá vivem ainda dependem de recursos externos para que possam se manter. Mesmo assim, a água que utilizam vem de um dos rios que passam por perto, e parte da comida é colhida do plantio feito na própria vila.


Vila Flor de Ouro
 
 
As casas, conforme mostra a foto, são bioconstruções, feitas com intuito de agredir o menos possível a natureza. Tem esse formato arredondado que lhes da um aspecto bem esquisito, e eu particularmente gosto bastante.
 
 
O terreno da Flor de Ouro é bem grande, e espaço ali era o que não faltava. Havia um espaço para confraternização, para produção de materiais artísticos, e para meditação. Havia também uma horta comunitária, uma cozinha comunitária, e estava em andamento a construção de um "banheiro seco" quando visitamos o local. Este último é, de forma bem básica, um banheiro que não gasta uma gota de água com descarga, e ainda aproveita as fezes para gerar material orgânico que futuramente pode ser usado como adubo.

Templo

 
Eu e a Grazi nos interessamos bastante por esses estilos de vida diferentes, mais próximos da natureza, e por isso queríamos conhecer a Flor de Ouro. A visita foi muito agradável, e lá ouvimos mais detalhes sobre algo que já era de nosso conhecimento: o trabalho voluntário.
 

Para quem deseja passar um tempo na vila, há a possibilidade de trabalhar em troca de estadia e alimentação. Todos ganham nessa, pois quem trabalha aprende (entre outras coisas) técnicas de plantio, e o restante da vila se beneficia com o trabalho dos voluntários. Na verdade, quem já vive por lá parece ter isso bem enraizado: o trabalho pensando no coletivo, e não apenas no individual.
 
 
Apesar de em outros lugares não haver necessidade de pagamento pela estadia, especificamente na Flor de Ouro deve-se pagar uma quantia (não lembro quanto) para ficar lá. A princípio o valor é um pouco maior, pois há um período de adaptação (alguns dias) no qual o voluntário vê se de fato é esse tipo de vida que quer levar nas próximas semanas ou nos próximos meses. Além disso, nesse período os moradores sentem se o voluntário se "encaixa" na vila. Se após esse período o voluntário quiser de fato continuar lá, e se os moradores se sentirem a vontade com ele, a taxa para estadia diminui bastante a partir de então.
 
 
 Regrinhas da cozinha comunitária
 
 
Conversamos com uma equatoriana que estava lá há um pouco mais de um mês com seu companheiro. Ela nos explicou a dinâmica da vila (horários, regras, etc) de forma muito simpática. Pegamos os nomes de outras vilas que funcionam na mesma pegada, só que em outros países aqui da América Latina.
 
 
Visita à casa do Muriel

Após sair da vila, como já estávamos no Moinho, decidimos visitar o Muriel e sua família. Novamente fomos recebidos muito bem. Descansamos na rede e comemos frutas. Dessa vez, porém, o Muriel estava meio doente e de cama. Passamos então o tempo conversando com sua mãe.

A tarde foi bem agradável, mas mesmo tendo descansado no dia anterior, ainda nos sentíamos meio cansados. Além disso já estava anoitecendo, e tínhamos uma trilha pela frente para voltar à cidade. Nos despedimos então, e seguimos rumo à trilha. Nem a inicíamos pois sabíamos da possibilidade de pegar uma carona até a cidade, e de fato, após alguns minutos, um carro passou e nos pegou.

Chegada na cidade e as deliciosas broas de milho

Ao chegar na cidade fomos deixados no centro. Lá, entramos em um restaurante muito bonito e experimentamos suas broas de milho. Foram as coisas mais gostosas que comemos em dias (rs!). A mulher que nos atendeu disse que seu marido é quem cozinhava tudo. A Grazi até brincou "como essa mulher não é gorda com um marido desses?". A princípio não iríamos comer muito, mas acabamos pegando mais, de tão gostosas que estavam.

Depois da pequena refeição, voltamos para casa e dormimos cedo. No dia seguinte, iríamos de novo para São Jorge para visitar os locais até então não visitados.

Saldo do dia

3,75 reais - Bananas
5,45 reais - Broas

TOTAL: 9,2 reais

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