quinta-feira, 16 de julho de 2015

4° dia de viagem - 15/05/2015

Acordamos de manhã ao som de um caminhão de frutas que passava pela rua. Nossa reação foi instantânea: saltar da cama e ir às compras! Conseguimos comprar muitas frutas e legumes a preços bons. Tomamos café da manhã com frutas e castanhas, e fomos andar pelas partes altas da cidade. Vimos uma flor muito brilhante, que apelidamos de "flor de LED", pois de fato pareciam fios de LED saindo da planta

Grazi e as flores de LED

Do alto avistamos de longe uma casa muito diferente. Parecia uma casa alienígena, futurista, com janelas circulares e paredes brancas. Resolvemos ir até ela de alguma forma, nos restando descobrir um caminho que nos levasse até a mesma.

Casa "alienígena"

Queríamos conversar com o dono para perguntar sobre a casa, pois parecia ter sido construída no modelo sustentável, e esse é um assunto que nos interessa: sustentabilidade.

Casas sustentáveis

Procuramos então pela casa "alienígena" e durante a busca nos deparamos com a construção de uma casa feita de adobe, um material que substitui o tijolo muito bem. É mais barato, dura mais, e agredide menos o meio ambiente. Conversamos com os pedreiros sobre preços, formas de construção, tempo de conclusão da obra, entre outras coisas. Além da casa em construção, havia outra ali próxima, já quase concluída, seguindo o mesmo modelo sustentável. Fomos até ela e entramos (não havia ninguém). As paredes eram de adobe também, a tinta utilizada nas paredes era ecológica, as janelas circulares, a estrutura feita com sacos de areia e pneus, e a telha era viva, estruturada com bambus.

Casa sustentável


Seguimos em frente e chegamos em uma pousada chamada Cata-Vento. O gerente do local nos levou até a casa que estávamos procurando desde o início, e disse que aquela de fato era uma casa que havia sido construída visando ser sustentável. Contudo, havia alguns problemas nela, o que fez com que a proprietária não quisesse residir lá. Pelo que entendi, a obra estava parada.

Vilarejo Moinho e a família de Muriel

Nesse dia andamos bastante. Saímos da pousada, e fomos ao vilarejo conhecido como Moinho. Nossa intenção era conhecer o sítio Flor de Ouro, localizado nesse vilarejo. No caminho encontramos com Mara, uma senhora de olhos claros que havia participado da meditação budista no dia anterior. Ela resolveu nos acompanhar ao longo da trilha, mostrando ser uma pessoa muito ativa. Ficamos encantados com sua disposição em viver a vida. Antes de chegar ao vilarejo, pegamos uma carona com Louro (obviamente, esse era seu apelido, e não seu nome), um senhor que reside no Moinho

Paisagem ao longo da trilha


Lá chegando, ao invés de irmos até a Flor de Ouro, seguimos Mara até a casa de uma conhecida dela. Fomos apresentados à Joana e à sua família. Muriel, seu filho de 15 anos, nos apresentou seu quintal repleto de árvores frutíferas e vegetais. Disse que tudo aquilo era natural, sem adição de produtos químicos, e que ele e sua família usufruíam muito do que tinha ali. Ressaltou que quase nunca ficava doente (óbvio!). Particularmente fiquei fascinado pela esperteza do rapaz. Ele disse que queria fazer culinária e ser fotógrafo. Com relação ao primeiro interesse, já havia entrado em contato com uma cozinheira da região e estava tendo aulas gratuitas. Seu sonho, segundo ele, era montar um restaurante, no próprio vilarejo, para atender as pessoas de sua comunidade. Simplicidade acompanhada de muita lucidez.

Uma das lindas flores encontradas no Moinho

Seu pai, Moacir, chegou momentos depois e nos convidou para almoçar. Almoçamos todos juntos, e ainda levamos várias frutas pra casa. Até cana levamos, cortadas e descascadas pelo Muriel. 

O almoço

Nossa tarde foi incrível, e me senti imensamente grato pela hospitalidade daquela família. Como já estava meio tarde para conhecer a Flor de Ouro, decidimos voltar pra casa e conhecer o sítio em outro dia

Doces veganos para fechar o dia!

Na volta, é claro, pegamos uma caroninha com o amazonense Guará e uma francesa chamada Isabele. Quando perguntei o que ela fazia, ela disse que se empenhava em viver sem trabalhar (rs!). O fusca vermelho do Guará aguentou o tranco, e chegamos no centro da cidade. Aproveitamos o grande número de opções vegetarianas e comemos alguns doces. Já era noite quando chegamos na casa do Nill. Após conversar sobre o dia, dormimos cedo (umas 21:30). Eu, ansioso pelo dia seguinte

Saldo do dia

36,00 reais - Feira (4 dúzias de banana, 20 maçãs, cenoura, batata doce, inhame, tomates, 2 abacaxis e 20 tangerinas)
7,50 reais - Doces veganos
1,80 - Broas de milho

TOTAL: 45,3 reais

quarta-feira, 1 de julho de 2015

3° dia de viagem - 14/05/2015

Acordamos bem cedo, comemos o restante das frutas e alguns pães, comprados em uma padaria próxima ao posto onde dormimos. Usamos o banheiro (ainda bem que tinha um disponível) do próprio posto, e aguardamos até a chegada do Matheus, rapaz que através do Facebook combinou de nos dar carona de Brasília até Alto Paraíso. O pessoal do grupo de caronas no Face geralmente pede 35 reais por pessoa, mas explicamos nossa situação e ele aceitou fazer por 25 cada um, ou seja, 50 no total.

Manhã de frio em Brasília


A polícia militar nos parou!

Logo que iniciamos a viagem, Matheus acendeu "unzinho". Nos ofereceu, mas não fumamos. Pouco depois, a polícia militar, em uma blitz, nos parou. Matheus tratou de esconder rapidamente o cigarro de maconha, enquanto saíamos do carro. Os policiais apontaram armas, e foram bem claros: "Todos pra fora com a mão na cabeça, AGORA!". Fomos revistados, e perguntaram se havia drogas no carro. Matheus admitiu que tinha um "fuminho", mas deixou claro que só ele era usuário. Enquanto a revista no carro era feita, outro policial conversou comigo, e ficou espantado quando eu disse que estávamos vindo de SP, de carona.

Engraçado mesmo foi quando começaram a revistar meu mochilão e encontraram meu pote de desodorante caseiro. Ele é uma mistura de óleo de coco com bicarbonato de sódio e mais algumas coisas naturais. Era de se esperar que um pouco de pó branco dentro de um pote chamasse a atenção de policiais, não é mesmo? Após esclarecer que se tratava de um produto de higiene apenas, o policial não chegou a procurar muito mais coisas, e deu uma olhada no mochilão da Grazi. O policial em questão tirou algumas sacolas de castanhas, nozes, frutas secas, olhou para um dos colegas de profissão e disse "Só coisas naturais aqui...", desistindo assim de uma busca mais apurada. Sua expressão era de "Estamos perdendo tempo com esses malucos naturebas", e ainda bem que ele não revirou tudo, pois nossos mochilões estavam muito organizados.

Após um leve sermão, ele só apreendeu a droga e nos deixou ir, orientando o motorista a não correr muito, e a parar com seu vício. Imaginei a quantidade de vícios que tais policiais tem, assim como grande parte da população mundial, por drogas lícitas, ou por produtos não vistos como "vilões". Mas isso não vem ao caso...

A chegada em Alto Paraíso, na casa do Nill

Havíamos combinado através do aplicativo "couchsurfing" de ficar alguns dias hospedados na casa do Nilton, conhecido por "Nill". Após o susto na estrada pela blitz policial, chegamos bem na pequena cidade, e fomos muito bem recebidos, por volta das 13:30.

Sorriso frugal - alegria por chegar em Alto Paraíso



Nill mora com seu sobrinho, e se auto considera um "quase xamã". Na sala, fotos de Jesus, de uma representação divina da Índia (Ganesha, se não me engano), e de uma mulher indígena. Praticante dos rituais que utilizam Ayahuasca (também chamado de Santo Daime) há mais de 20 anos, Nill nos proporcionou longas conversas. Sua visão de mundo, meu conhecimento sobre física e as experiências da Grazi deram origem a um bate-papo bem maluco, como era de se esperar

Passeio pela cidade e meditação budista

Fomos conhecer a cidadezinha, após um banho (finalmente!) e um descanso merecidos. Andando pela rua, ao passar por algo que parecia um templo, aproveitamos o portão aberto e entramos pra ver o que era. Fomos atendidos por Luis, que nos informou que aquilo não era um templo de meditação, mas sim sua casa. Por coincidência ele iria em uma meditação budista no centro da cidade dali a meia hora, e perguntou se gostaríamos de ir. Nós aceitamos. Ele nos convidou então para entrar em sua casa, nos apresentou a sua mulher e uma amiga, e por fim nos levou de carro até uma escola, chamada Escola Vila Verde, aonde aconteceria a meditação.

Essa foi a pegada da nossa viagem: deixar fluir. Por não termos fechado nenhum pacote de turismo, por termos pouca grana, e por termos bastante tempo, simplesmente deixamos as coisas acontecerem. Isso foi muito bom, pois tivemos experiências fantásticas desse modo. Conforme eu for descrevendo nossa viagem, creio que vá ficar bem evidente como o "deixar levar" pode ser algo muito proveitoso.

A Escola Vila Verde e seu método de educação diferenciado

Ao chegarmos, fomos apresentados ao Fernando e à sua mulher, ambos do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), e coordenadores da escola Vila Verde. Luis dizia "Eles vieram de São Paulo DE CARONA com caminhoneiros!" enquanto cumprimentavámos as pessoas, gerando é claro olhares bem espantados.

A Escola Vila Verde tem ligação com o CEBB, e por isso a meditação ocorreria ali, na escola. Pelo menos foi isso que entendemos, a princípio. Fizemos 20 minutos de meditação, e entoamos alguns mantras.

Antes da meditação começar, enquanto o pessoal chegava, Grazi reparou que em uma lousa estava o cronograma dos estudantes, e havia ali algumas atividades que indicavam que o modelo de ensino da escola era diferente do que estamos acostumados. Nós, como professores, ficamos bem interessados naquilo, até porque criticamos muito o modelo tradicional de ensino, no qual o professor é visto como detentor de todo o conhecimento, enquanto os estudantes são vistos como folhas em branco, preenchidas pelo professor. Esse método conteúdista e ultrapassado, aparentemente, ali não era praticado. Recebemos então o convite de visitarmos, em algum outro dia, a outra unidade da escola, localizada no meio rural. Obviamente, aceitamos!

Antes de voltarmos pra casa, passamos em um restaurante para tomar um chá.

Retorno pra casa e expectativas para o outro dia

Cheguei em casa muito satisfeito, e muito grato por tudo o que tinha acontecido no dia. Como era possível estar tudo dando tão certo? Conseguimos carona até Alto Paraíso (uma cheia de emoção, aliás), graças ao Nill conseguimos nos instalar na cidade, depois passeando pela mesma fomos convidados de forma tão simpática pelo Luis a entrar em sua residência, a meditar com pessoas maravilhosas, que por sua vez nos convidaram a conhecer outra unidade da escola... Nossa! Sem dúvida foi um dia intenso. E isso foi só o primeiro dia.

Mal sabíamos que o dia seguinte seria também repleto de coisas boas...

Saldo do dia

50,00 reais - Carona
2,30 reais - Pães
8,70 reais - Macarrão vegano (1 kg), molho de tomate, milho e cenoura
3,00 reais - Chá

TOTAL: 64 reais

terça-feira, 30 de junho de 2015

2° dia de viagem - 13/05/2015

O segundo dia de viagem se iniciou, para mim, umas 9:00. Pedro já estava dirigindo desde às 5:00, e Grazi havia acordado umas 7:00. De café de manhã comemos algumas das frutas que levamos, além de lanches em uma parada, pagos pelo Pedro (ele fez questão de pagar!). A tarde paramos para almoçar. Comemos bastante, aproveitando que era comida a vontade

Indo para Goiânia

Por volta das 15:00 chegamos em Goiânia, num posto enorme cheio de caminhoneiros, chamado Posto Gavião. Por azar, a maioria dos caminhoneiros que dali saía, ia para São Paulo, e não para o Norte, como queríamos. Demoramos muito até conseguir alguém que nos deixasse em Brasília (ao menos duas horas)

Enquanto a Grazi ficava conversando com os caminhoneiros na saída do posto, eu ficava na beira da rodovia, ao lado do posto, com a placa na mão, pedindo carona aos caminhões que ali passavam. Contando assim pode parecer que a viagem foi cansativa, mas tentamos fazer de cada momento um divertimento. Criamos teorias que justificassem o motivo de alguns caminhões da rodovia passarem reto por nós sem nem ao menos dar um sinal, ou então tentávamos decifrar o que seria a indicação dada pela maioria (indicavam com a mão para a esquerda, ou para direita). Fora as danças e performances teatrais que a Grazi fazia quando trocávamos de função e ela ia pedir carona na rodovia.

O clima descontraído ajuda muito para o descanso da mente, para manutenção da motivação, do otimismo, e dos pensamentos positivos. Algumas coisas não saem como planejado, algumas situações te pegam de surpresa, mas isso não pode ser suficiente para abalar ninguém. Pelo contrário! A força para superação tem como combustível justamente os "perrengues". Passar por essas coisas com alegria é muito melhor do que com tristeza ou mal humor, não é verdade? E foi assim que tentamos fazer ao longo da viagem.

Dormindo no posto Ipiranga, em Brasília

Chegamos a noite no posto Ipiranga, já em Brasília, de onde há várias caronas até Alto Paraíso de Goiás, nosso destino final. No facebook inclusive há um grupo destinado apenas a isso (caronas), no qual entramos em contato com algumas pessoas, já programando o dia seguinte.

Apesar do frio, conseguimos dormir razoavelmente bem, e nos sentimos seguros pelo fato do posto ser 24 horas. Além disso, muitas viaturas paraval ali para abastecer. Ao fim desse dia estávamos muito ansiosos. Só de pensar que no dia seguinte estaríamos na Chapada dos Veadeiros...
 
Saldo do dia
 
27,00 reais - Almoço (comida a vontade)
 
TOTAL: 27,00 reais

1° dia de viagem - 12/05/2015

No dia 12/05/2015 acordamos por volta das 4:00, tomamos um café da manhã reforçado (muitas frutas), e fomos até o ponto de ônibus mais próximo, com destino à São Bernardo do Campo (cidade vizinha de Santo André, aonde residimos). Usamos os pães de forma para fazer lanches com os vegetais que estavam em nossa geladeira e iriam estragar, e a princípio estes serviriam de refeição ao longo do dia.

Prontos para a viagem!

Chegando em SBC, andamos até a rodovia Anchieta, que faz parte da BR 050. Por volta das 6:00 começamos a pedir carona, e quando eram 6:30 conseguimos. Um carro parou. Fomos até ele e nos deparamos com um conhecido! "Pra onde estão indo?", perguntou Ecauê, professor que trabalhou comigo na Escola Estadual Papa Paulo VI. Começamos a rir pois não imaginávamos encontrar alguém conhecido. Explicamos que iríamos até Goiás, e após conversa nos demos conta de algo bem óbvio: deveríamos procurar os locais com maior fluxo de caminhões que provavelmente iriam para o norte de São Paulo. Ali, na rodovia aonde estávamos, muitos veículos iriam apenas para o centro de SP, e a probabilidade de encontrar alguém indo para além da cidade era bem menor. Ecauê então nos deixou próximo à uma estação de trem, em um posto de gasolina, aonde nos informamos melhor a respeito das rodovias, e sobre os possíveis melhores caminhos a seguir. Optamos por pegar um trem até o Tietê, local aonde há saída de veículos para muitos lugares, e pedir carona até o início da rodovia Bandeirantes/Anhanguera.

Chegando no Tietê, andamos até um posto de gasolina, e lá conseguimos nossa segunda carona do dia com um senhor humilde chamado José ("seu Zé"). Ele nos deixou no início da Bandeirantes, e lá pedimos carona por uma meia hora, até que um caminhoneiro parou. Em nossa placa havia o nome de algumas cidades como Campinas e Ribeirão Preto, pois para se chegar nelas, segue-se o mesmo caminho que vai para Goiás. O caminhoneiro (Luis Carlos) estava indo até uma cidade próxima a Campinas, o que já nos ajudava bastante. Fomos conversando e ouvindo um pouco sobre a vida de caminhoneiro. Ali, já começamos a perceber o quão difícil ela é. Noites mal dormidas, distância da família, além do uso de remédios para se manter acordado.

 Luis Carlos, o primeiro caminhoneiro a nos dar carona

Eram 14:00 quando chegamos em Paulínia, cidade próxima a Campinas. Lá pegamos carona com um casal que estava de carro, perdido, procurando pela Unicamp, e por fim chegamos em um posto de gasolina. A essa altura já havíamos combinado de pedir caronas principalmente nos postos, pela possibilidade de conversar com os motoristas. Apesar do receio que costumamos alimentar em virtude da possibilidade de alguém nos fazer algum mal, vale lembrar que na perspectiva de quem da a carona nós também podemos representar alguma ameaça. Assim sendo, é bem mais fácil conversando nos postos do que pedindo nas rodovias, apenas com uma placa na mão.

Conhecemos no posto em Paulínea o caminhoneiro Basílio, que estava indo até Ribeirão Preto. Seu caminhão, ao contrário de todos os outros que viríamos a andar ao longo da viagem, era próprio, isto é, não era de nenhuma empresa. Ele ficava com todo o dinheiro das encomendas, mas quando surgia algum problema mecânico, era ele quem tinha que arcar com os custos. Algo bem arriscado, ele nos contou, mas não havia outro jeito. Ele, assim como Luis, se mostrou bem simpático, e conhecedor de quase todas as cidades do interior de SP.

Por volta das 18:00 chegamos em Ribeirão Preto. Lá, fomos deixados em um posto de gasolina no qual após muita procura conhecemos o caminhoneiro Pedro. Já estávamos perdendo as esperanças de conseguir mais uma carona naquele dia, pois a maioria dos caminhoneiros só partiria no outro dia. Pedro, porém, partiria naquela mesma noite até Goiânia, o que nos ajudaria imensamente. Após conversarmos um pouco, ele aceitou nos dar carona.

Comendo um lanchinho vegano em Paulínia, interior de SP

Pedro disse ter a minha idade (25 anos), o que me deixou surpreso. Caminhoneiro desde os 19, disse ser natural de Tocantins e já ter 3 filhos. Isso me fez refletir sobre a vida das pessoas que, assim como a dele, "começaram" bem cedo. Sem dúvida foi uma das viagens mais divertidas. Conversamos sobre várias coisas, incluindo vida extraterrestre e religião! Paramos de madrugada para dormir, e aproveitamos o fato da cabine do caminhão ser bem grande para dormir de forma bem relaxada. Pedro dormiu em uma rede, extendida dentro da própria cabine, e nós dormimos em sua cama.

Assim se encerrou o primeiro dia de viagem. Não estávamos cansados, por passarmos boa parte da viagem sentados, numa boa. Além disso, uma sensação de tranquilidade por tudo estar dando certo nos preenchia. Contudo, ainda restavam muitos km até Goiás, e não sabíamos o que encontraríamos no dia seguinte.

Saldo do dia

12,35 reais - Passagens de ônibus e trem
2,00 reais - Café e pão para trocar dinheiro, antes da viagem começar
1,80 reais - Pães
4,00 reais - Paçoca da região em que estávamos (Paulínia)

TOTAL: 20,15 reais




Preparativos para viagem

Planejamento e motivação da viagem

Uma viagem de carona, no melhor estilo "mochileiros", ao contrário do que podem imaginar não acontece sem um mínimo de planejamento. Mesmo contando com fatores incertos, deve haver um mínimo de planejamento para que tudo dê certo.

Após ouvir relatos de conhecidos sobre a Chapada dos Veadeiros, nos motivamos a conhecer suas belezas naturais, e nos organizamos para viajar até Alto Paraíso de Goiás, de carona.

Jardim da Maytréia - Alto Paraíso de Goiás


Dinheiro

Contamos apenas com 460 reais para essa viagem, sendo 230 reais para cada um. A ideia era de utilizá-lo com maior prudência possível, evitando portanto desperdícios, sem nos isentar é claro de uma alimentação adequada, de cuidados com saúde e com segurança. Sendo a viagem feita de carona, uma quantia considerável pôde ser economizada.


Tabela de preços de passagens até Goiânia


Pela tabela de preços mostrada, da pra ver que pelo menos 744 reais foram economizados, levando em conta ida e volta.

Trajeto

A principal via de São Paulo à Goiás é a BR-050. Com auxílio do google vi que ela passava por São Bernardo do Campo (local mais próximo de Santo André, aonde residimos). Decidimos então pegar um ônibus até SBC e, de lá, andar até a rodovia (o que não levaria em torno de 15 minutos). Estando na rodovia, pediríamos carona com a placa de cartolina e o que aconteceria em seguinte era incerto...

BR 050 - Principal via até Goiás

Comida

Com relação a comida, fizemos compras um dia antes da viagem, pensando no que poderíamos precisar até a chegada em Goiás. Somos vegetarianos estritos (não comemos nada de origem animal) e prevíamos encontrar certas dificuldades pelo caminho. Priorizamos alimentos bem calóricos (já pensando inclusive nas cansativas trilhas que faríamos), que não estragam, e que ocupam pouco volume, como frutas secas, nozes e castanhas.

Fomos até a zona cerealista de SP, pois lá tais produtos são bem mais baratos, e gastamos exatos 70 reais com:

Castanha-do-Pará (400 g)
Castanha de caju (200 g)
Uva passa (500 g)
Damasco (500 g)
Óleo de coco
Amendoin sem sal (500 g)
Pães de forma (1 pacote)

Também fomos no Mercadão de SP, e gastamos 25 reais com:

Maças (20 unidades)
Pêras (9 unidades)

Gastos extras foram feitos com um pequeno kit de primeiros socorros, que incluia álcool em um pequeno frasco, band-aid, gaze e esparadrapo. Não chegamos a registrar o valor exato, mas não passou muito de 5 reais. Compramos também cartolina para fazer placas, para usarmos nas estradas

Finalizando

Guardamos nossas roupas em sacolas plásticas, todas separadas, caso o mochilão molhasse. Levamos pouca roupa, para ocupar o menor volume possível. Além dos utencílios básicos, levamos também lanternas, fósforos, uma pá, livros, um caderno e um lápis. Com tudo pronto, era só esperar amanhecer a ir para Goiás!

Criação do Blog

Em Maio de 2015, eu e minha namorada, Grazi, viajamos de carona e com pouca grana para Goiás. Essa experiência maravilhosa me motivou a criar um blog para relatar tal viagem, assim como outras que já fizemos, e também as que ainda iremos fazer.

Eu e Grazi em São José dos Campos (2015)