No dia 12/05/2015 acordamos por volta das 4:00, tomamos um café da manhã reforçado (muitas frutas), e fomos até o ponto de ônibus mais próximo, com destino à São Bernardo do Campo (cidade vizinha de Santo André, aonde residimos). Usamos os pães de forma para fazer lanches com os vegetais que estavam em nossa geladeira e iriam estragar, e a princípio estes serviriam de refeição ao longo do dia.
Prontos para a viagem!
Chegando em SBC, andamos até a rodovia Anchieta, que faz parte da BR 050. Por volta das 6:00 começamos a pedir carona, e quando eram 6:30 conseguimos. Um carro parou. Fomos até ele e nos deparamos com um conhecido! "Pra onde estão indo?", perguntou Ecauê, professor que trabalhou comigo na Escola Estadual Papa Paulo VI. Começamos a rir pois não imaginávamos encontrar alguém conhecido. Explicamos que iríamos até Goiás, e após conversa nos demos conta de algo bem óbvio: deveríamos procurar os locais com maior fluxo de caminhões que provavelmente iriam para o norte de São Paulo. Ali, na rodovia aonde estávamos, muitos veículos iriam apenas para o centro de SP, e a probabilidade de encontrar alguém indo para além da cidade era bem menor. Ecauê então nos deixou próximo à uma estação de trem, em um posto de gasolina, aonde nos informamos melhor a respeito das rodovias, e sobre os possíveis melhores caminhos a seguir. Optamos por pegar um trem até o Tietê, local aonde há saída de veículos para muitos lugares, e pedir carona até o início da rodovia Bandeirantes/Anhanguera.
Chegando no Tietê, andamos até um posto de gasolina, e lá conseguimos nossa segunda carona do dia com um senhor humilde chamado José ("seu Zé"). Ele nos deixou no início da Bandeirantes, e lá pedimos carona por uma meia hora, até que um caminhoneiro parou. Em nossa placa havia o nome de algumas cidades como Campinas e Ribeirão Preto, pois para se chegar nelas, segue-se o mesmo caminho que vai para Goiás. O caminhoneiro (Luis Carlos) estava indo até uma cidade próxima a Campinas, o que já nos ajudava bastante. Fomos conversando e ouvindo um pouco sobre a vida de caminhoneiro. Ali, já começamos a perceber o quão difícil ela é. Noites mal dormidas, distância da família, além do uso de remédios para se manter acordado.
Luis Carlos, o primeiro caminhoneiro a nos dar carona
Eram 14:00 quando chegamos em Paulínia, cidade próxima a Campinas. Lá pegamos carona com um casal que estava de carro, perdido, procurando pela Unicamp, e por fim chegamos em um posto de gasolina. A essa altura já havíamos combinado de pedir caronas principalmente nos postos, pela possibilidade de conversar com os motoristas. Apesar do receio que costumamos alimentar em virtude da possibilidade de alguém nos fazer algum mal, vale lembrar que na perspectiva de quem da a carona nós também podemos representar alguma ameaça. Assim sendo, é bem mais fácil conversando nos postos do que pedindo nas rodovias, apenas com uma placa na mão.
Conhecemos no posto em Paulínea o caminhoneiro Basílio, que estava indo até Ribeirão Preto. Seu caminhão, ao contrário de todos os outros que viríamos a andar ao longo da viagem, era próprio, isto é, não era de nenhuma empresa. Ele ficava com todo o dinheiro das encomendas, mas quando surgia algum problema mecânico, era ele quem tinha que arcar com os custos. Algo bem arriscado, ele nos contou, mas não havia outro jeito. Ele, assim como Luis, se mostrou bem simpático, e conhecedor de quase todas as cidades do interior de SP.
Por volta das 18:00 chegamos em Ribeirão Preto. Lá, fomos deixados em um posto de gasolina no qual após muita procura conhecemos o caminhoneiro Pedro. Já estávamos perdendo as esperanças de conseguir mais uma carona naquele dia, pois a maioria dos caminhoneiros só partiria no outro dia. Pedro, porém, partiria naquela mesma noite até Goiânia, o que nos ajudaria imensamente. Após conversarmos um pouco, ele aceitou nos dar carona.
Comendo um lanchinho vegano em Paulínia, interior de SP
Pedro disse ter a minha idade (25 anos), o que me deixou surpreso. Caminhoneiro desde os 19, disse ser natural de Tocantins e já ter 3 filhos. Isso me fez refletir sobre a vida das pessoas que, assim como a dele, "começaram" bem cedo. Sem dúvida foi uma das viagens mais divertidas. Conversamos sobre várias coisas, incluindo vida extraterrestre e religião! Paramos de madrugada para dormir, e aproveitamos o fato da cabine do caminhão ser bem grande para dormir de forma bem relaxada. Pedro dormiu em uma rede, extendida dentro da própria cabine, e nós dormimos em sua cama.
Assim se encerrou o primeiro dia de viagem. Não estávamos cansados, por passarmos boa parte da viagem sentados, numa boa. Além disso, uma sensação de tranquilidade por tudo estar dando certo nos preenchia. Contudo, ainda restavam muitos km até Goiás, e não sabíamos o que encontraríamos no dia seguinte.
Saldo do dia
12,35 reais - Passagens de ônibus e trem
2,00 reais - Café e pão para trocar dinheiro, antes da viagem começar
2,00 reais - Café e pão para trocar dinheiro, antes da viagem começar
1,80 reais - Pães
4,00 reais - Paçoca da região em que estávamos (Paulínia)
TOTAL: 20,15 reais



Nenhum comentário:
Postar um comentário