quarta-feira, 23 de setembro de 2015

11° dia de viagem - 22/05/2015

Conforme mencionado na postagem anterior, no dia 22/05 iríamos voltar para São Jorge, aquela cidade menor que Alto Paraíso, na qual conhecemos as grandes cachoeiras, lembram? (Vejam o 5° e o 6° dia de viagem). Em nossa rápida passagem por lá, ficamos na casa do Maurício, e não conseguimos conhecer tudo o que gostaríamos.

A volta para São Jorge


Não tínhamos cozinha para fazer o almoço (pois estávamos acampando no quintal da casa dos amigos da Nirmana), mas por sorte estamos acostumados a comer frutas em grandes refeições. E foi o que fizemos nos dias anteriores. Porém, ainda tínhamos algumas batatas doces e alguns legumes, e seria um desperdício deixa-los estragar. Decidimos então que após deixar a casa, iríamos nas casas vizinhas pedir a cozinha "emprestada".

Arrumamos nossas coisas, deixamos um bilhete agradecendo bastante a Nirmana em um dos pilares da casa, e partimos. Não demorou até que achássemos um morador que disponibilizasse sua casa para cozinharmos. Após a refeição, fomos em direção ao trevo (mostrado na foto abaixo) pedir carona até São Jorge.


Entrada da cidade Alto Paraíso de Goiás


O lugar inclusive lembra um disco voador, não?! Bem, conseguimos carona rapidamente com um guia de turismo. Ele estava bebendo cerveja, e brincou, dizendo que aquela era a primeira, e que eu não precisava ficar preocupado. Nos falou um pouco sobre sua vida, sobre como foi parar em Goiás, e algumas curiosidades sobre nosso destino e seus pontos turísticos. Por fim, ficamos na entrada de São Jorge, e andamos até a casa do Rafa


Casa do Rafa

Não cheguei a escrever aqui no blog, mas por indicação de um conhecido da Grazi fomos pedir abrigo na Casa do Rafa. Ela é, literalmente, a casa de um cara chamado Rafael, mas funciona também como camping. Conversamos com ele e sua companheira, Gabi, sobre nossa viagem, sobre a falta de grana, e pedimos para passar uma noite em seu quintal. Isso em nossa primeira ida à São Jorge! Como ele havia deixado, voltamos para São Jorge na certeza de ter um lugar para passar a noite. No dia seguinte provavelmente o Maurício estaria lá (pois era final de semana) e conversaríamos com ele para quem sabe ficarmos mais alguns dias em sua casa. Como podem perceber, a gente foi se virando  do jeito que dava rs


Grazi preparando o "rango" na Casa do Rafa
  
O Rafa e a Gabi são músicos, e nos convidaram para um show que aconteceria naquele mesmo dia em um bar da região. Isso ia rolar apenas a noite, e até lá ficamos conversando, descansando, e claro, comendo. O Rafa trocou uma ideia com a gente sobre anarquismo, modelos políticos, vegetarianismo e estilo de vida. Compartilhou com a gente uma Heineken, e depois foi se arrumar para o show.

Pedimos dinheiro!!!

Estávamos literalmente com quase nenhum dinheiro. Não lembro ao certo a quantia, mas naquela altura visitar os locais turísticos pagos (Janela e Abismo) já estavam fora de cogitação. Nossa volta para SP não seria rápida, e precisávamos de grana para comer. Decidimos então o óbvio: pedir dinheiro.
No começo rolou uma certa vergonha, afinal, a construção social a qual fizemos parte a vida toda nos fez construir uma imagem negativa de quem pede dinheiro, excluindo deste toda dignidade, e nos colocando portanto, naquele tipo de situação, numa espécie de posição inferior. Bem, quebramos essa "barreira" pensando que não há, de verdade, motivo para se envergonhar. Já havíamos pedido carona, estadia, um local para cozinhar, por que não dinheiro?

A Grazi iniciou então os pedidos, e tudo ocorreu muito rápido. Fomos até um bar, contamos sobre nossa viagem, e pedimos dinheiro de mesa em mesa. Em cada mesa, pelo menos UMA pessoa nos ajudou. E não deram moedas não! Deram notas de cinco reais!!

A última ajuda que recebemos veio de um casal que se interessou por nossa história. Disseram que na juventude haviam viajado de carona também, sem nenhuma grana, e sabiam muito bem o que estávamos passando. Contribuíram com pouco mais de 10 reais, o que obviamente nos alegrou bastante.

Em poucos minutos conseguimos uma boa quantia. Se quiséssemos mais, bastaria continuar pedindo que com certeza dariam. Mas já tínhamos o suficiente, e os pedidos eram por uma necessidade. Não queríamos aproveitar da situação para tirar algum tipo de vantagem, e sendo assim, voltamos até a casa do Rafa.

O show do casal e o risotto vegano

Fomos até o bar aonde aconteceria o show, e ficamos impressionados com o lugar. Sem dúvida o bar mais chique da região! Havia opção de sentar em almofadas no chão e comer em uma mesa bem baixa. Optamos pelas almofadas, mas não chegamos a ocupar uma mesa, pois não iríamos consumir nada. O garçom até insistiu, mas quando se ligou que estávamos ali apenas pelo show, parou de perguntar se iríamos querer algo.

O show começou. O Rafa estava no teclado, e a Gabi no violão. Ambos cantavam, e se revezavam nos vocais. Foi surpreendente. A princípio ficaríamos um pouquinho e já iríamos embora para dormir cedo, mas não conseguimos. As músicas eram muito boas, o clima era muito bom, e tudo inspirava sensações muito prazerosas. Tocaram clássicos do MPB (não que eu conheça muitos), e até rolou um cover de Criolo. Foi demais!

Fizemos amizade com algumas mulheres que estavam em uma mesa, próximas da gente. Elas eram de SP, professoras, e ficariam apenas alguns dias em São Jorge.

O fim da noite não poderia terminar de melhor forma. Ao terminarem o show, o casal nos disse que teriam direito a duas jantas no local. Como a porção era grande, eles dividiriam uma, e a outra dariam pra gente. O detalhe mais especial: o dono do bar havia acabado de lançar um risotto vegano!! Seríamos os primeiros a experimentar.

O risotto estava muito gostoso. A gente tentava de alguma forma expressar o quão felizes e o quão gratos estávamos por tudo o que estava acontecendo, mas era difícil. O casal provavelmente deve ter achado que éramos dois puxa-sacos, mas estávamos fazendo elogios na mais pura sinceridade. Eles foram ótimos com a gente. Nos deram abrigo, comida, e de quebra um show sensacional. Ótimos músicos, e ainda melhores como pessoas. Sem dúvida, ainda voltaremos para São Jorge, ficaremos na Casa do Rafa (pagando, dessa vez), e levaremos um presente para os dois (rs!)

Fogueira, festa, e mais música


A "saidera" aconteceria na Casa do Rafa. Ele chamou uma galera pra tocar ao redor de uma fogueira em seu quintal, e o pessoal virou a noite fazendo muita música. Eu e a Grazi, por incrível que pareça, dormimos em um colchão, ao ar livre, e não ouvimos NADA! Estávamos com tanto sono que mal vimos as pessoas chegando. No outro dia, se o Rafa tivesse me dito que a festa nem tinha rolado, eu acreditaria.

Local aonde passamos a noite. Dentro da barraca (cedida pelo Rafa), nossos pertences ficaram guardados. Do lado de fora apenas um colchão, suficiente para dormirmos e descansarmos bastante



No outro dia conheceríamos as cachoiras chamadas de Cânions e Cariocas...


Saldo do dia

+30 reais - Doações
- 6,5 reais - Frutas

TOTAL: + 23,5 reais

terça-feira, 15 de setembro de 2015

10° dia de viagem - 21/05/2015

Ainda meio cansados, decidimos ir até o Moinho novamente. Da primeira vez que fomos para lá, tínhamos a intenção de visitar a vila Flor de Ouro, mas acabamos não indo (ver 4° dia de viagem). Dessa vez porém acabamos chegando no destino desejado.

Antes de chegar na vila, pegamos carona com um turco (não me lembro de seu nome) que nos deixou a apenas 3 km da entrada do Moinho. Como o percurso total beira os 8 km, ficamos bem agradecidos. Ele nos contou que veio morar no Brasil com sua mulher, e havia comprado terras para montar futuramente uma vila sustentável com seus amigos. Além disso, assim como outras pessoas com quem conversamos, ele nos disse que fazia uso do Ayahuasca e participava dos rituais.


Vila Flor de Ouro

Queríamos muito conhecer a vila Flor de Ouro por achar que a mesma era uma ecovila, isto é, uma vila sustentável. Porém, ao conversar com um dos moradores, nos foi esclarecida essa questão. A vila não chega a ser sustentável pois os que lá vivem ainda dependem de recursos externos para que possam se manter. Mesmo assim, a água que utilizam vem de um dos rios que passam por perto, e parte da comida é colhida do plantio feito na própria vila.


Vila Flor de Ouro
 
 
As casas, conforme mostra a foto, são bioconstruções, feitas com intuito de agredir o menos possível a natureza. Tem esse formato arredondado que lhes da um aspecto bem esquisito, e eu particularmente gosto bastante.
 
 
O terreno da Flor de Ouro é bem grande, e espaço ali era o que não faltava. Havia um espaço para confraternização, para produção de materiais artísticos, e para meditação. Havia também uma horta comunitária, uma cozinha comunitária, e estava em andamento a construção de um "banheiro seco" quando visitamos o local. Este último é, de forma bem básica, um banheiro que não gasta uma gota de água com descarga, e ainda aproveita as fezes para gerar material orgânico que futuramente pode ser usado como adubo.

Templo

 
Eu e a Grazi nos interessamos bastante por esses estilos de vida diferentes, mais próximos da natureza, e por isso queríamos conhecer a Flor de Ouro. A visita foi muito agradável, e lá ouvimos mais detalhes sobre algo que já era de nosso conhecimento: o trabalho voluntário.
 

Para quem deseja passar um tempo na vila, há a possibilidade de trabalhar em troca de estadia e alimentação. Todos ganham nessa, pois quem trabalha aprende (entre outras coisas) técnicas de plantio, e o restante da vila se beneficia com o trabalho dos voluntários. Na verdade, quem já vive por lá parece ter isso bem enraizado: o trabalho pensando no coletivo, e não apenas no individual.
 
 
Apesar de em outros lugares não haver necessidade de pagamento pela estadia, especificamente na Flor de Ouro deve-se pagar uma quantia (não lembro quanto) para ficar lá. A princípio o valor é um pouco maior, pois há um período de adaptação (alguns dias) no qual o voluntário vê se de fato é esse tipo de vida que quer levar nas próximas semanas ou nos próximos meses. Além disso, nesse período os moradores sentem se o voluntário se "encaixa" na vila. Se após esse período o voluntário quiser de fato continuar lá, e se os moradores se sentirem a vontade com ele, a taxa para estadia diminui bastante a partir de então.
 
 
 Regrinhas da cozinha comunitária
 
 
Conversamos com uma equatoriana que estava lá há um pouco mais de um mês com seu companheiro. Ela nos explicou a dinâmica da vila (horários, regras, etc) de forma muito simpática. Pegamos os nomes de outras vilas que funcionam na mesma pegada, só que em outros países aqui da América Latina.
 
 
Visita à casa do Muriel

Após sair da vila, como já estávamos no Moinho, decidimos visitar o Muriel e sua família. Novamente fomos recebidos muito bem. Descansamos na rede e comemos frutas. Dessa vez, porém, o Muriel estava meio doente e de cama. Passamos então o tempo conversando com sua mãe.

A tarde foi bem agradável, mas mesmo tendo descansado no dia anterior, ainda nos sentíamos meio cansados. Além disso já estava anoitecendo, e tínhamos uma trilha pela frente para voltar à cidade. Nos despedimos então, e seguimos rumo à trilha. Nem a inicíamos pois sabíamos da possibilidade de pegar uma carona até a cidade, e de fato, após alguns minutos, um carro passou e nos pegou.

Chegada na cidade e as deliciosas broas de milho

Ao chegar na cidade fomos deixados no centro. Lá, entramos em um restaurante muito bonito e experimentamos suas broas de milho. Foram as coisas mais gostosas que comemos em dias (rs!). A mulher que nos atendeu disse que seu marido é quem cozinhava tudo. A Grazi até brincou "como essa mulher não é gorda com um marido desses?". A princípio não iríamos comer muito, mas acabamos pegando mais, de tão gostosas que estavam.

Depois da pequena refeição, voltamos para casa e dormimos cedo. No dia seguinte, iríamos de novo para São Jorge para visitar os locais até então não visitados.

Saldo do dia

3,75 reais - Bananas
5,45 reais - Broas

TOTAL: 9,2 reais