Conforme mencionado na postagem anterior, no dia 22/05 iríamos voltar para São Jorge, aquela cidade menor que Alto Paraíso, na qual conhecemos as grandes cachoeiras, lembram? (Vejam o 5° e o 6° dia de viagem). Em nossa rápida passagem por lá, ficamos na casa do Maurício, e não conseguimos conhecer tudo o que gostaríamos.
A volta para São Jorge
Não tínhamos cozinha para fazer o almoço (pois estávamos acampando no quintal da casa dos amigos da Nirmana), mas por sorte estamos acostumados a comer frutas em grandes refeições. E foi o que fizemos nos dias anteriores. Porém, ainda tínhamos algumas batatas doces e alguns legumes, e seria um desperdício deixa-los estragar. Decidimos então que após deixar a casa, iríamos nas casas vizinhas pedir a cozinha "emprestada".
Arrumamos nossas coisas, deixamos um bilhete agradecendo bastante a Nirmana em um dos pilares da casa, e partimos. Não demorou até que achássemos um morador que disponibilizasse sua casa para cozinharmos. Após a refeição, fomos em direção ao trevo (mostrado na foto abaixo) pedir carona até São Jorge.
Entrada da cidade Alto Paraíso de Goiás
O lugar inclusive lembra um disco voador, não?! Bem, conseguimos carona rapidamente com um guia de turismo. Ele estava bebendo cerveja, e brincou, dizendo que aquela era a primeira, e que eu não precisava ficar preocupado. Nos falou um pouco sobre sua vida, sobre como foi parar em Goiás, e algumas curiosidades sobre nosso destino e seus pontos turísticos. Por fim, ficamos na entrada de São Jorge, e andamos até a casa do Rafa
Casa do Rafa
Não cheguei a escrever aqui no blog, mas por indicação de um conhecido da Grazi fomos pedir abrigo na Casa do Rafa. Ela é, literalmente, a casa de um cara chamado Rafael, mas funciona também como camping. Conversamos com ele e sua companheira, Gabi, sobre nossa viagem, sobre a falta de grana, e pedimos para passar uma noite em seu quintal. Isso em nossa primeira ida à São Jorge! Como ele havia deixado, voltamos para São Jorge na certeza de ter um lugar para passar a noite. No dia seguinte provavelmente o Maurício estaria lá (pois era final de semana) e conversaríamos com ele para quem sabe ficarmos mais alguns dias em sua casa. Como podem perceber, a gente foi se virando do jeito que dava rs
Grazi preparando o "rango" na Casa do Rafa
O Rafa e a Gabi são músicos, e nos convidaram para um show que aconteceria naquele mesmo dia em um bar da região. Isso ia rolar apenas a noite, e até lá ficamos conversando, descansando, e claro, comendo. O Rafa trocou uma ideia com a gente sobre anarquismo, modelos políticos, vegetarianismo e estilo de vida. Compartilhou com a gente uma Heineken, e depois foi se arrumar para o show.
Pedimos dinheiro!!!
Estávamos literalmente com quase nenhum dinheiro. Não lembro ao certo a quantia, mas naquela altura visitar os locais turísticos pagos (Janela e Abismo) já estavam fora de cogitação. Nossa volta para SP não seria rápida, e precisávamos de grana para comer. Decidimos então o óbvio: pedir dinheiro.
No começo rolou uma certa vergonha, afinal, a construção social a qual fizemos parte a vida toda nos fez construir uma imagem negativa de quem pede dinheiro, excluindo deste toda dignidade, e nos colocando portanto, naquele tipo de situação, numa espécie de posição inferior. Bem, quebramos essa "barreira" pensando que não há, de verdade, motivo para se envergonhar. Já havíamos pedido carona, estadia, um local para cozinhar, por que não dinheiro?
A Grazi iniciou então os pedidos, e tudo ocorreu muito rápido. Fomos até um bar, contamos sobre nossa viagem, e pedimos dinheiro de mesa em mesa. Em cada mesa, pelo menos UMA pessoa nos ajudou. E não deram moedas não! Deram notas de cinco reais!!
A última ajuda que recebemos veio de um casal que se interessou por nossa história. Disseram que na juventude haviam viajado de carona também, sem nenhuma grana, e sabiam muito bem o que estávamos passando. Contribuíram com pouco mais de 10 reais, o que obviamente nos alegrou bastante.
Em poucos minutos conseguimos uma boa quantia. Se quiséssemos mais, bastaria continuar pedindo que com certeza dariam. Mas já tínhamos o suficiente, e os pedidos eram por uma necessidade. Não queríamos aproveitar da situação para tirar algum tipo de vantagem, e sendo assim, voltamos até a casa do Rafa.
O show do casal e o risotto vegano
Fomos até o bar aonde aconteceria o show, e ficamos impressionados com o lugar. Sem dúvida o bar mais chique da região! Havia opção de sentar em almofadas no chão e comer em uma mesa bem baixa. Optamos pelas almofadas, mas não chegamos a ocupar uma mesa, pois não iríamos consumir nada. O garçom até insistiu, mas quando se ligou que estávamos ali apenas pelo show, parou de perguntar se iríamos querer algo.
O show começou. O Rafa estava no teclado, e a Gabi no violão. Ambos cantavam, e se revezavam nos vocais. Foi surpreendente. A princípio ficaríamos um pouquinho e já iríamos embora para dormir cedo, mas não conseguimos. As músicas eram muito boas, o clima era muito bom, e tudo inspirava sensações muito prazerosas. Tocaram clássicos do MPB (não que eu conheça muitos), e até rolou um cover de Criolo. Foi demais!
Fizemos amizade com algumas mulheres que estavam em uma mesa, próximas da gente. Elas eram de SP, professoras, e ficariam apenas alguns dias em São Jorge.
O fim da noite não poderia terminar de melhor forma. Ao terminarem o show, o casal nos disse que teriam direito a duas jantas no local. Como a porção era grande, eles dividiriam uma, e a outra dariam pra gente. O detalhe mais especial: o dono do bar havia acabado de lançar um risotto vegano!! Seríamos os primeiros a experimentar.
O risotto estava muito gostoso. A gente tentava de alguma forma expressar o quão felizes e o quão gratos estávamos por tudo o que estava acontecendo, mas era difícil. O casal provavelmente deve ter achado que éramos dois puxa-sacos, mas estávamos fazendo elogios na mais pura sinceridade. Eles foram ótimos com a gente. Nos deram abrigo, comida, e de quebra um show sensacional. Ótimos músicos, e ainda melhores como pessoas. Sem dúvida, ainda voltaremos para São Jorge, ficaremos na Casa do Rafa (pagando, dessa vez), e levaremos um presente para os dois (rs!)
Fogueira, festa, e mais música
A "saidera" aconteceria na Casa do Rafa. Ele chamou uma galera pra tocar ao redor de uma fogueira em seu quintal, e o pessoal virou a noite fazendo muita música. Eu e a Grazi, por incrível que pareça, dormimos em um colchão, ao ar livre, e não ouvimos NADA! Estávamos com tanto sono que mal vimos as pessoas chegando. No outro dia, se o Rafa tivesse me dito que a festa nem tinha rolado, eu acreditaria.
Local aonde passamos a noite. Dentro da barraca (cedida pelo Rafa), nossos pertences ficaram guardados. Do lado de fora apenas um colchão, suficiente para dormirmos e descansarmos bastante
No outro dia conheceríamos as cachoiras chamadas de Cânions e Cariocas...
Saldo do dia
+30 reais - Doações
- 6,5 reais - Frutas
TOTAL: + 23,5 reais





