terça-feira, 30 de junho de 2015

2° dia de viagem - 13/05/2015

O segundo dia de viagem se iniciou, para mim, umas 9:00. Pedro já estava dirigindo desde às 5:00, e Grazi havia acordado umas 7:00. De café de manhã comemos algumas das frutas que levamos, além de lanches em uma parada, pagos pelo Pedro (ele fez questão de pagar!). A tarde paramos para almoçar. Comemos bastante, aproveitando que era comida a vontade

Indo para Goiânia

Por volta das 15:00 chegamos em Goiânia, num posto enorme cheio de caminhoneiros, chamado Posto Gavião. Por azar, a maioria dos caminhoneiros que dali saía, ia para São Paulo, e não para o Norte, como queríamos. Demoramos muito até conseguir alguém que nos deixasse em Brasília (ao menos duas horas)

Enquanto a Grazi ficava conversando com os caminhoneiros na saída do posto, eu ficava na beira da rodovia, ao lado do posto, com a placa na mão, pedindo carona aos caminhões que ali passavam. Contando assim pode parecer que a viagem foi cansativa, mas tentamos fazer de cada momento um divertimento. Criamos teorias que justificassem o motivo de alguns caminhões da rodovia passarem reto por nós sem nem ao menos dar um sinal, ou então tentávamos decifrar o que seria a indicação dada pela maioria (indicavam com a mão para a esquerda, ou para direita). Fora as danças e performances teatrais que a Grazi fazia quando trocávamos de função e ela ia pedir carona na rodovia.

O clima descontraído ajuda muito para o descanso da mente, para manutenção da motivação, do otimismo, e dos pensamentos positivos. Algumas coisas não saem como planejado, algumas situações te pegam de surpresa, mas isso não pode ser suficiente para abalar ninguém. Pelo contrário! A força para superação tem como combustível justamente os "perrengues". Passar por essas coisas com alegria é muito melhor do que com tristeza ou mal humor, não é verdade? E foi assim que tentamos fazer ao longo da viagem.

Dormindo no posto Ipiranga, em Brasília

Chegamos a noite no posto Ipiranga, já em Brasília, de onde há várias caronas até Alto Paraíso de Goiás, nosso destino final. No facebook inclusive há um grupo destinado apenas a isso (caronas), no qual entramos em contato com algumas pessoas, já programando o dia seguinte.

Apesar do frio, conseguimos dormir razoavelmente bem, e nos sentimos seguros pelo fato do posto ser 24 horas. Além disso, muitas viaturas paraval ali para abastecer. Ao fim desse dia estávamos muito ansiosos. Só de pensar que no dia seguinte estaríamos na Chapada dos Veadeiros...
 
Saldo do dia
 
27,00 reais - Almoço (comida a vontade)
 
TOTAL: 27,00 reais

1° dia de viagem - 12/05/2015

No dia 12/05/2015 acordamos por volta das 4:00, tomamos um café da manhã reforçado (muitas frutas), e fomos até o ponto de ônibus mais próximo, com destino à São Bernardo do Campo (cidade vizinha de Santo André, aonde residimos). Usamos os pães de forma para fazer lanches com os vegetais que estavam em nossa geladeira e iriam estragar, e a princípio estes serviriam de refeição ao longo do dia.

Prontos para a viagem!

Chegando em SBC, andamos até a rodovia Anchieta, que faz parte da BR 050. Por volta das 6:00 começamos a pedir carona, e quando eram 6:30 conseguimos. Um carro parou. Fomos até ele e nos deparamos com um conhecido! "Pra onde estão indo?", perguntou Ecauê, professor que trabalhou comigo na Escola Estadual Papa Paulo VI. Começamos a rir pois não imaginávamos encontrar alguém conhecido. Explicamos que iríamos até Goiás, e após conversa nos demos conta de algo bem óbvio: deveríamos procurar os locais com maior fluxo de caminhões que provavelmente iriam para o norte de São Paulo. Ali, na rodovia aonde estávamos, muitos veículos iriam apenas para o centro de SP, e a probabilidade de encontrar alguém indo para além da cidade era bem menor. Ecauê então nos deixou próximo à uma estação de trem, em um posto de gasolina, aonde nos informamos melhor a respeito das rodovias, e sobre os possíveis melhores caminhos a seguir. Optamos por pegar um trem até o Tietê, local aonde há saída de veículos para muitos lugares, e pedir carona até o início da rodovia Bandeirantes/Anhanguera.

Chegando no Tietê, andamos até um posto de gasolina, e lá conseguimos nossa segunda carona do dia com um senhor humilde chamado José ("seu Zé"). Ele nos deixou no início da Bandeirantes, e lá pedimos carona por uma meia hora, até que um caminhoneiro parou. Em nossa placa havia o nome de algumas cidades como Campinas e Ribeirão Preto, pois para se chegar nelas, segue-se o mesmo caminho que vai para Goiás. O caminhoneiro (Luis Carlos) estava indo até uma cidade próxima a Campinas, o que já nos ajudava bastante. Fomos conversando e ouvindo um pouco sobre a vida de caminhoneiro. Ali, já começamos a perceber o quão difícil ela é. Noites mal dormidas, distância da família, além do uso de remédios para se manter acordado.

 Luis Carlos, o primeiro caminhoneiro a nos dar carona

Eram 14:00 quando chegamos em Paulínia, cidade próxima a Campinas. Lá pegamos carona com um casal que estava de carro, perdido, procurando pela Unicamp, e por fim chegamos em um posto de gasolina. A essa altura já havíamos combinado de pedir caronas principalmente nos postos, pela possibilidade de conversar com os motoristas. Apesar do receio que costumamos alimentar em virtude da possibilidade de alguém nos fazer algum mal, vale lembrar que na perspectiva de quem da a carona nós também podemos representar alguma ameaça. Assim sendo, é bem mais fácil conversando nos postos do que pedindo nas rodovias, apenas com uma placa na mão.

Conhecemos no posto em Paulínea o caminhoneiro Basílio, que estava indo até Ribeirão Preto. Seu caminhão, ao contrário de todos os outros que viríamos a andar ao longo da viagem, era próprio, isto é, não era de nenhuma empresa. Ele ficava com todo o dinheiro das encomendas, mas quando surgia algum problema mecânico, era ele quem tinha que arcar com os custos. Algo bem arriscado, ele nos contou, mas não havia outro jeito. Ele, assim como Luis, se mostrou bem simpático, e conhecedor de quase todas as cidades do interior de SP.

Por volta das 18:00 chegamos em Ribeirão Preto. Lá, fomos deixados em um posto de gasolina no qual após muita procura conhecemos o caminhoneiro Pedro. Já estávamos perdendo as esperanças de conseguir mais uma carona naquele dia, pois a maioria dos caminhoneiros só partiria no outro dia. Pedro, porém, partiria naquela mesma noite até Goiânia, o que nos ajudaria imensamente. Após conversarmos um pouco, ele aceitou nos dar carona.

Comendo um lanchinho vegano em Paulínia, interior de SP

Pedro disse ter a minha idade (25 anos), o que me deixou surpreso. Caminhoneiro desde os 19, disse ser natural de Tocantins e já ter 3 filhos. Isso me fez refletir sobre a vida das pessoas que, assim como a dele, "começaram" bem cedo. Sem dúvida foi uma das viagens mais divertidas. Conversamos sobre várias coisas, incluindo vida extraterrestre e religião! Paramos de madrugada para dormir, e aproveitamos o fato da cabine do caminhão ser bem grande para dormir de forma bem relaxada. Pedro dormiu em uma rede, extendida dentro da própria cabine, e nós dormimos em sua cama.

Assim se encerrou o primeiro dia de viagem. Não estávamos cansados, por passarmos boa parte da viagem sentados, numa boa. Além disso, uma sensação de tranquilidade por tudo estar dando certo nos preenchia. Contudo, ainda restavam muitos km até Goiás, e não sabíamos o que encontraríamos no dia seguinte.

Saldo do dia

12,35 reais - Passagens de ônibus e trem
2,00 reais - Café e pão para trocar dinheiro, antes da viagem começar
1,80 reais - Pães
4,00 reais - Paçoca da região em que estávamos (Paulínia)

TOTAL: 20,15 reais




Preparativos para viagem

Planejamento e motivação da viagem

Uma viagem de carona, no melhor estilo "mochileiros", ao contrário do que podem imaginar não acontece sem um mínimo de planejamento. Mesmo contando com fatores incertos, deve haver um mínimo de planejamento para que tudo dê certo.

Após ouvir relatos de conhecidos sobre a Chapada dos Veadeiros, nos motivamos a conhecer suas belezas naturais, e nos organizamos para viajar até Alto Paraíso de Goiás, de carona.

Jardim da Maytréia - Alto Paraíso de Goiás


Dinheiro

Contamos apenas com 460 reais para essa viagem, sendo 230 reais para cada um. A ideia era de utilizá-lo com maior prudência possível, evitando portanto desperdícios, sem nos isentar é claro de uma alimentação adequada, de cuidados com saúde e com segurança. Sendo a viagem feita de carona, uma quantia considerável pôde ser economizada.


Tabela de preços de passagens até Goiânia


Pela tabela de preços mostrada, da pra ver que pelo menos 744 reais foram economizados, levando em conta ida e volta.

Trajeto

A principal via de São Paulo à Goiás é a BR-050. Com auxílio do google vi que ela passava por São Bernardo do Campo (local mais próximo de Santo André, aonde residimos). Decidimos então pegar um ônibus até SBC e, de lá, andar até a rodovia (o que não levaria em torno de 15 minutos). Estando na rodovia, pediríamos carona com a placa de cartolina e o que aconteceria em seguinte era incerto...

BR 050 - Principal via até Goiás

Comida

Com relação a comida, fizemos compras um dia antes da viagem, pensando no que poderíamos precisar até a chegada em Goiás. Somos vegetarianos estritos (não comemos nada de origem animal) e prevíamos encontrar certas dificuldades pelo caminho. Priorizamos alimentos bem calóricos (já pensando inclusive nas cansativas trilhas que faríamos), que não estragam, e que ocupam pouco volume, como frutas secas, nozes e castanhas.

Fomos até a zona cerealista de SP, pois lá tais produtos são bem mais baratos, e gastamos exatos 70 reais com:

Castanha-do-Pará (400 g)
Castanha de caju (200 g)
Uva passa (500 g)
Damasco (500 g)
Óleo de coco
Amendoin sem sal (500 g)
Pães de forma (1 pacote)

Também fomos no Mercadão de SP, e gastamos 25 reais com:

Maças (20 unidades)
Pêras (9 unidades)

Gastos extras foram feitos com um pequeno kit de primeiros socorros, que incluia álcool em um pequeno frasco, band-aid, gaze e esparadrapo. Não chegamos a registrar o valor exato, mas não passou muito de 5 reais. Compramos também cartolina para fazer placas, para usarmos nas estradas

Finalizando

Guardamos nossas roupas em sacolas plásticas, todas separadas, caso o mochilão molhasse. Levamos pouca roupa, para ocupar o menor volume possível. Além dos utencílios básicos, levamos também lanternas, fósforos, uma pá, livros, um caderno e um lápis. Com tudo pronto, era só esperar amanhecer a ir para Goiás!

Criação do Blog

Em Maio de 2015, eu e minha namorada, Grazi, viajamos de carona e com pouca grana para Goiás. Essa experiência maravilhosa me motivou a criar um blog para relatar tal viagem, assim como outras que já fizemos, e também as que ainda iremos fazer.

Eu e Grazi em São José dos Campos (2015)